Fantástica queda d'água no distrito marianense de cachoeira do Brumado. Foto: Minuto Mais

Muitas vezes, quando se fala em cachoeiras, o pensamento mais corriqueiro que se costuma ter diz respeito a longas caminhas e trilhas complicadas. Toda a regra tem exceção. Em Itabirito, são várias as cachoeiras de fácil acesso, mas em Mariana, mais exatamente no distrito marianense de Cachoeira do Brumado, existe um espaço de facílimo acesso, com uma queda d’água de encher os olhos e um poço enorme (com partes rasas e mais profundas) para se refrescar. Interessante saber que o visitante não paga nada para conhecer o local (na verdade, só paga aquilo que consumir).

Cacheiora do Brumado, distrito de Mariana

Para quem for de automóvel, saiba que o veículo ficará a cerca de 100 metros da queda. Do “estacionamento” dá pra ver o espetáculo das águas. O turista deve ficar atendo às regras do local: não jogar lixo na área e não consumir bebida não adquirida nas intermediações da cachoeira, por exemplo.

Cachoeira do Brumado fica a mais ou menos 25 km de Mariana (distrito sede). Passando pelo Terminal Rodoviário marianense, é só seguir, por alguns minutos, pela MG-262 (sentido Ponte Nova) e depois virar à direita em um trevo. A sinalização da estrada, não permite erros.

No local, às margens do Rio Brumado, na área da queda d’água, foi um erguido um pequeno “centro empresarial” com pousada, restaurante, sorveteria, fábrica de panela e lanchonete: tudo de uma mesma família – da qual o patriarca é o senhor Mário Ramos.

Lixo? Não!

Na área, há várias mesas e cadeiras espalhadas para o visitante se acomodar. E por falar em frequentadores do local, alguns insistem em demonstrar que não têm educação. Isso porque, mesmo com lixeiras espalhadas, eles não a usam e jogam, principalmente, copinhos de plásticos no chão.

Luzes dão brilho especial à noite na cachoeira. Foto: Minuto Mais

Independentemente, de se ter ou não lixeiras, natureza não deveria ser lugar de lixo.

Contudo, todo o lixo deixado é retirado quase que diariamente pela família do senhor Mário Ramos, e é recolhido pelo caminhão da Prefeitura de Mariana duas vezes por semana.

Senhor Mário e família

Cachoeira do Brumado tem muitas histórias e é impossível contá-las sem mencionar um personagem muito importante já citado nesta matéria: Mário Ramos Eleutério, 71 anos. Ele é sobrinho do ex-prefeito de Mariana, João Ramos (por parte de mãe), e comprou as terras, em que se encontra a queda d’água, de seus primos (por parte de pai), em 1979.

Senhor Mário e dona Nazinha – donos e defensores da Cachoeira do Brumado. Foto: Minuto Mais

A partir daí, começou a pensar como explorar a área, dando a oportunidade de usufruto do local a todos, sem cobrar a entrada, e ao mesmo tempo, preservando a natureza local, tendo, é claro, o retorno financeiro do turismo.

Dona Nazinha, 72 anos, é esposa do senhor Mário. Ela é a principal defensora da natureza local.  

Ao Minuto Mais, Dona Nazinha contou uma história interessante: “Há muitos anos, pessoas do distrito costumavam jogar sacolas de lixo no Rio Brumado. E eu sempre ia atrás para tentar impedir o ato. Sabendo da minha atitude, elas começaram a jogar lixo no rio ‘escondidas’ de mim. Uma vez, uma vizinha saiu de casa com uma sacola de lixo, e eu fui atrás dela porque sabia que ela a jogaria no rio. De repente, essa vizinha some, mas segundos depois eu a encontro e vejo a sacola dela ‘indo embora com o rio’. Eu a cumprimentei, mostrei a ela a sacola, e sem entrar em detalhes, disse: ‘fico pensando quem foi a desocupada inconsequente que jogou aquela sacola de lixo no rio’ (…). Não é difícil entender que quando a gente joga lixo no rio, esse lixo retorna, mais cedo ou mais tarde, com a força das águas, para dentro de nossas próprias casas”.