quinta-feira, junho 4, 2026

Lufthansa quer expandir hub de Lisboa e crescer no Porto: admite posição minoritária na TAP com controlo da gestão

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Grupo alemão reforça interesse na TAP e aponta ao mercado brasileiro

A Lufthansa voltou a manifestar interesse na privatização da TAP Air Portugal, defendendo que este é o momento certo para avançar com a entrada no capital da companhia aérea nacional. O grupo alemão considera a transportadora portuguesa “lucrativa” e estratégica, sobretudo pela sua forte presença no Brasil — um mercado historicamente relevante para Portugal, tanto a nível económico como cultural.

Estratégia da Lufthansa para a TAP: crescer e consolidar

A proposta em preparação prevê a aquisição de uma participação de 44,9% na TAP, mantendo o Estado português como acionista maioritário numa fase inicial. Ainda assim, a Lufthansa não esconde a ambição de, a médio prazo, alcançar uma posição maioritária, à semelhança do que já está previsto com a italiana ITA Airways.

Segundo responsáveis do grupo, a TAP representa uma “combinação perfeita” dentro da estratégia global da Lufthansa, permitindo reforçar rotas transatlânticas e consolidar a presença na América do Sul.

Hub de Lisboa para “preservar e expandir”

Um dos pontos centrais da estratégia passa pela valorização do aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, que deverá manter o seu papel como principal hub da TAP.

A Lufthansa pretende não só preservar esta centralidade, mas também expandi-la, aumentando a capacidade de ligação entre a Europa, África e América do Sul. Esta visão vai ao encontro da importância geográfica de Lisboa como porta de entrada atlântica — uma vantagem competitiva frequentemente destacada no setor da aviação.

Porto ganha relevância na estratégia

Paralelamente, o grupo alemão quer reforçar a operação no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto. A cidade tem vindo a ganhar peso no turismo europeu e internacional, e a Lufthansa vê potencial para aumentar rotas e frequência de voos, acompanhando o crescimento económico e turístico da região Norte.

Sinergias industriais e aposta na manutenção

Outro eixo estratégico passa pela área da manutenção aeronáutica. A Lufthansa identifica sinergias relevantes com a TAP Maintenance & Engineering, destacando um “ADN comum” entre as duas organizações.

A cooperação neste segmento poderá traduzir-se em ganhos de eficiência e no desenvolvimento de parcerias industriais, reforçando a capacidade técnica instalada em Portugal — um aspeto relevante para a economia nacional e para a qualificação do emprego no setor.

Brasil e América Latina no centro da expansão

O mercado brasileiro surge como uma prioridade clara para a Lufthansa. A TAP é atualmente uma das companhias europeias com maior presença no Brasil, beneficiando de ligações históricas, linguísticas e comerciais entre os dois países.

A estratégia passa por consolidar esta posição e, numa fase posterior, expandir para outros mercados da América Latina, aproveitando a rede existente e a procura crescente por ligações intercontinentais.

Impacto da crise energética será refletido nos preços

Relativamente ao contexto internacional, nomeadamente a instabilidade no Médio Oriente e os seus efeitos no setor energético, a Lufthansa admite que os custos acrescidos terão impacto na avaliação da TAP.

Ainda assim, considera que se trata de um fator estrutural que acabará por ser incorporado nos preços e na operação global da aviação, sem comprometer o interesse estratégico na companhia portuguesa.

Projeto paralelo: escola de pilotos em Portugal

Em paralelo com o processo de privatização, o grupo alemão está também a dialogar com a Força Aérea Portuguesa para a criação de uma escola de pilotos militares em Portugal.

O projeto prevê a formação de cerca de 100 pilotos por ano e poderá servir vários países europeus no âmbito da NATO. A localização ainda não está definida, mas a iniciativa é independente da eventual entrada no capital da TAP.

Conclusão

A Lufthansa posiciona-se como um dos principais candidatos à privatização da TAP, apresentando uma estratégia centrada no crescimento sustentável, na valorização dos hubs nacionais e na expansão internacional, com destaque para o Brasil. Embora aceite uma posição minoritária numa fase inicial, o grupo alemão mantém a ambição de assumir o controlo da gestão, num processo que poderá redefinir o futuro da aviação portuguesa.

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