quinta-feira, junho 4, 2026

Equipa portuguesa instala telescópio solar de alta precisão no deserto do Atacama

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Instrumento inovador permitirá observação remota do Sol a partir de Portugal

Uma equipa de investigadores portugueses está a concluir a instalação de um novo telescópio solar de alta precisão no norte do Chile, reforçando a presença científica nacional num dos principais polos mundiais de observação astronómica. O projeto, desenvolvido em colaboração com instituições internacionais, promete abrir novas perspetivas no estudo do Sol e de outros sistemas estelares.

Tecnologia portuguesa chega ao Observatório do Paranal

O Paranal Solar EXPRESSO Telescópio (PoET), parcialmente desenvolvido nos laboratórios da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, está a ser instalado no Observatório Europeu do Sul (ESO), localizado no deserto do Atacama, no Chile.

Projetado para funcionar como um sistema autónomo, o telescópio será operado remotamente a partir de Portugal. A partir de uma altitude de 2.600 metros, no topo da montanha do Paranal, o equipamento irá recolher dados solares com elevada precisão e transmiti-los em tempo real.

Uma equipa de 12 investigadores do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, bem como das universidades de Lisboa e do Porto, encontra-se no terreno desde o passado fim de semana para concluir a instalação.

Segundo Alexandre Cabral, professor da Universidade de Lisboa e investigador do Instituto de Astronomia, “neste momento, não existe nenhum instrumento com capacidade para obter os mesmos resultados do PoET”.

Observação solar com detalhe sem precedentes

O PoET distingue-se pela capacidade de selecionar e analisar regiões específicas do Sol, em vez de captar a sua luz de forma global. Esta abordagem inovadora permite estudar fenómenos como manchas solares ou a coroa solar com maior detalhe.

O sistema está ligado ao espectrógrafo ESPRESSO através de um cabo de fibra ótica com cerca de 75 metros, assegurando acesso direto e imediato aos dados recolhidos.

Esta tecnologia de ponta deverá também contribuir para melhorar os métodos de deteção de exoplanetas — planetas fora do sistema solar — especialmente aqueles com características semelhantes à Terra, uma área de investigação de grande relevância para a ciência europeia.

Um novo olhar sobre as estrelas e os exoplanetas

Ao contrário da maioria dos equipamentos instalados no Paranal, que operam sobretudo durante a noite, o PoET permitirá realizar observações durante o dia, utilizando o Sol como modelo de referência.

Os investigadores pretendem aprofundar o conhecimento sobre a física estelar e aperfeiçoar técnicas de análise aplicáveis a outras estrelas. Atualmente, já foram identificados cerca de seis mil exoplanetas na Via Láctea, um número que continua a crescer graças aos avanços tecnológicos.

Mais do que descobrir novos mundos, o objetivo passa por estudar com maior detalhe os sistemas já conhecidos, especialmente aqueles com maior potencial para albergar vida.

Operação automatizada e integração no maior polo astronómico do mundo

O telescópio funcionará de forma totalmente automatizada, dispensando intervenção humana direta. As operações serão controladas por parâmetros previamente programados, sendo apenas necessária manutenção anual, assegurada pela equipa portuguesa.

A infraestrutura do ESO no deserto do Atacama inclui três grandes observatórios: La Silla (desde 1960), Paranal (1999) e Chajnantor (2013), constituindo um dos mais importantes centros de investigação astronómica do mundo.

A instalação do PoET deverá estar concluída até 8 de abril. A partir dessa data, o novo telescópio passará a integrar a rede de instrumentos científicos do ESO, contribuindo para expandir o conhecimento sobre o universo.

Conclusão

Com a instalação do PoET no Chile, Portugal reforça o seu papel na investigação astronómica internacional, apostando em tecnologia de ponta e colaboração científica. Este novo instrumento promete não só aprofundar o estudo do Sol, mas também abrir caminho para avanços significativos na compreensão de estrelas e exoplanetas, áreas-chave na exploração do cosmos.

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