Usina de manganês da Vale em Ouro Preto paga somente 50% do salário

Os funcionários estão recebendo sem trabalhar. A revista Exame chamou a situação da produção da empresa de “bizarra”. Entenda ao ler o texto abaixo

De acordo com o jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, os 150 funcionários da usina de manganês (uma unidade da Vale em Ouro Preto) terão o salário cortado em até 50% a partir de 20 de julho, quando entrarão em licença remunerada e ficarão em casa.

A proposta da companhia foi feita ao Sindicato dos Metalúrgicos de Ouro Preto, que aceitou o pedido mediante garantia de que a empresa não irá demitir nenhum empregado até pelo menos 19 de outubro, três meses depois, quando termina a licença.

De acordo com o sindicato, a oferta também será feita às unidades de Barbacena e Conselheiro Lafaiete, afetando 600 pessoas. Por nota, a empresa informou que está se esforçando para evitar os desligamentos.

O piso salarial da usina de manganês, segundo o advogado da entidade, Renato Lisboa, é de R$ 1.325. Entre 20 de julho e 19 de outubro, os empregados passarão a receber 50% do salário nominal, limitado a este valor. “Dessa forma, algumas pessoas terão o salário reduzido em 50%, outras menos, em 20%. Teremos até outubro para encontrar uma solução para o problema e evitar as demissões”, afirmou a nota.

A usina (conhecida como Vale Manganês) é uma empresa eletrointensiva, ou seja, utiliza a energia como matéria-prima. Isso significa que cerca de 50% do custo de produção são com a eletricidade. No entanto, em dezembro do ano passado, venceu o contrato de aproximadamente R$ 67 por megawatt-hora que as empresas do setor mantinham com a Cemig há cerca de dez anos.

As empresas e a estatal não chegaram a um acordo sobre o novo valor a ser cobrado e o contrato não foi renovado. A Vale Manganês se mantém descontratada desde então. “A Cemig quer cerca de R$ 400 e, para a empresa, é inviável produzir com mais de R$ 180”, afirmou Lisboa.

Bizarra

A revista Exame chamou a situação da produção da Vale Manganês de “bizarra”, coisa que só acontece no Brasil. Há pouco mais de um ano, a empresa suspendeu a produção de manganês para vender a eletricidade que já comprou. “A Vale decidiu revender a energia que havia comprado para fazer a usina funcionar. A prática acabou se tornando comum no país nos últimos meses, já que os preços da energia dispararam. Acaba sendo mais negócio largar o manganês e lucrar com a venda de eletricidade”, escreveu a revista.

Voltando ao jornal Hoje em Dia, segundo o periódico, como o lucro ao vender o insumo é maior do que o conseguido ao produzir, os três fornos da Vale Manganês estão abafados há meses.

A expectativa, de acordo com Lisboa, é que as empresas de Minas sejam incluídas por emenda na Medida Provisória (MP) 677, editada pela presidente Dilma Rousseff, com o objetivo de subsidiar o valor do megawatt-hora para um grupo de empresas instaladas no nordeste, incluindo a própria Vale.

Audiências

Para pressionar o governo, o Sindicato dos Metalúrgicos de Ouro Preto conseguiu agendar duas audiências públicas. A primeira será na Assembleia Legislativa de Minas, no próximo dia 9. A outra será em Brasília, na Câmara dos Deputados, em 4 de agosto. “Se Minas não for beneficiada, teremos graves problemas de demissões. Afinal, o setor está ruim e perderá ainda mais competitividade para o nordeste”, diz o advogado.

Entre janeiro de 2014 e junho de 2015, o quadro de empregos do setor de ferroligas em MG caiu pela metade – de 8 mil para 4 mil.

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