Reajuste previsto para o dia 26/10. Fotos: Lucas Azevedo e Kelvin Silva Coavila Santos

O aumento médio previsto de 18% nas tarifas de ônibus tem gerado revolta na população de Ouro Preto (Região Central de Minas), bem como em seus representantes. Em entrevista ao Minuto Mais, o vereador Chiquinho de Assis (PV) disse que os edis ouro-pretanos, na terça-feira (16), defiram por unanimidade que a pauta da Casa Legislativa estará trancada, ou seja, não votará nenhum projeto até que o prefeito Júlio Pimenta (MDB) recue da decisão.

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O que os vereadores pedem é que nenhum reajuste seja feito antes de concluído todo o processo licitatório. Pela primeira vez, deve ser concluída uma licitação de transporte coletivo ouro-pretana.

Pelo decreto do prefeito, que define o rejuste, o valor da tarifa dentro do distrito sede ouro-pretano passará de R$ 2,70 para R$ 3,20. Do distrito sede para Santo Antônio do Salto ou Santa Rita de Ouro Preto, por exemplo, o valor passará de R$ 10,50 para R$ 12,45. Segundo o edil, o reajuste foi definido sem passar pelo Conselho Municipal de Transporte.

Ainda de acordo com o vereador, a situação do serviço público de transporte coletivo de Ouro Preto é precária. “Há anos não se tem licitação. O que se tem é contrato de permissão. Toda vez que o processo licitatório está quase concluído, surge uma pendência feita judicialmente que cancela o processo. Hoje no município, as linhas são superlotadas, outras são canceladas da noite para o dia, e outras passam ser exploradas por empresas que não são a Transcotta ou a Turin. Entretanto, o prefeito foi responsável por um feito histórico na cidade, conseguiu publicar o edital de licitação, que foi marcada para o dia 26 de outubro”, afirmou.

Chiquinho pertencia à base aliada do prefeito na eleição que elegeu Júlio Pimenta, mas hoje é independente. “Com essa história dos ônibus, eu estou ainda mais caminhando para o lado da oposição (…). A Câmara não pode fazer ‘nada’ com relação ao reajuste da tarifa, por ser feita por meio de decreto. Decidimos, então, tomar a atitude de trancar a pauta”, afirmou o vereador.

O reajuste tem gerado inúmeros desgastes políticos. Na reunião ordinária desta terça-feira, houve protestos da população na Câmara. Por sua vez, a Força Associativa de Moradores de Ouro Preto (Famop) sugeriu que as empresas fossem isentadas do ISS para que não houvesse a necessidade do aumento.

Até os motoristas de “taxi lotação” (transporte que segue o valor da tarifa oficial) são contrários ao aumento. Segundo os taxistas, o reajuste pode incentivar o transporte clandestino.

A princípio, o aumento aconteceria no dia 22, mas foi adiado para dia 26 por causa da repercussão do fato (e para coincidir com a licitação).

Outro lado

De acordo com a coordenação de imprensa da Prefeitura de Ouro Preto, o reajuste teve a intenção de atrair mais empresas para o processo licitatório e pode ser que o aumento não chegue aos 18%.

Sobre o trancamento da pauta da Câmara, ainda não se tem uma postura da Prefeitura.