Igor, morto em Ouro Preto por PM. Foto: reprodução

Uma morte que tomou proporções estaduais. Igor Arcanjo Mendes (20) foi morto em uma ação equivocada de militares de Ouro Preto (MG). Durante operação da Policia Militar, na sexta-feira (15), o PM pensou que Igor sacaria uma arma e, por isso, o jovem foi atingido por um tiro de fuzil na cabeça vindo da arma de um policial.

Neste momento, um grupo de 100 pessoas, incluindo familiares de Igor, fechou o acesso do Morro Santana (onde morava a vítima) e do Alto da Cruz, em Ouro Preto, pedindo que seja feita justiça.

Em entrevista ao Minuto Mais, pelo telefone, com base em testemunhas, a irmã de Igor, Nayara Mendes (22), disse que depois de atingido, os policiais debocharam da situação. “Eles pegaram o corpo do meu irmão, ainda vivo, e o jogaram no camburão, como se fosse um animal. Os policiais não prestaram socorro e não se preocuparam em chamar a ambulância”, afirmou.

Ela repudia a informação, divulgada pela PM, de que havia maconha no bolso de Igor, bem como dois pinos de cocaína dentro do carro, garantindo que ele não tinha envolvimento com drogas. “Independentemente disso, os PMs não tinham esse direito”, desabafou ela.

Mais um ato em nome de Igor Mendes nesta terça-feira (19)

Em repúdio à ação da policia, representantes da sociedade civil, com apoio da família de Igor, promoverão mais um ato para que seja feita justiça.

Será nesta terça-feira (19), às 16h, na Praça Tiradentes em Ouro Preto.

O ato tem o apoio da União Brasileira das Mulheres (Ouro Preto) e do Grupo de Estudos Feminismo das Pretas.

As entidades promovedoras divulgaram a seguinte nota: “A comunidade ouro-pretana se solidariza com mais esta mãe brasileira que dormirá hoje com o coração enlutado, tomado pela imensurável dor de enterrar um filho. Hoje mais uma família despedaçou-se, pois na sexta mais um jovem entrou para a fria estatística. Mais uma mulher trabalhadora, periférica ficará sem uma parte sua, sem seu filho.”

A versão da PM – Entrevista com o comandante

Igor era passageiro em um Fiat Pálio a caminho de um show, com outros cinco ocupantes, quando o motorista teria desobedecido uma ordem de parada, feita pela PM, na Rua Pacífico Homem de Melo. A polícia também afirmou que o carro estava em alta velocidade. O motorista contesta.

Em nota, a PM disse que a vítima teria feito um movimento brusco no momento que recebeu a ordem de descer do carro, o que fez com que um dos policiais acreditasse que ele sacaria uma arma de fogo.

Igor foi atingido na cabeça. O policial, que não teve a identidade revelada pela corporação, alega ter atirado em legítima defesa.

Em entrevista ao Minuto Mais, o tenente-coronel Winder Rodrigues Pinheiro disse que a PM não esperou pela ambulância porque o socorro iria demorar e por isso Igor foi levado rapidamente pelos policiais para ser socorrido por um médico.

Sobre o fato de o corpo ter sido jogado no camburão “como se fosse um animal”, o tenente-coronel afirmou que “essa não a ‘técnica’ que a Polícia Militar usa”.

O comandante garantiu que o policial que deu o tiro foi afastado do serviço de rua até que seja feita uma avaliação médica dele.

Winder ainda afirmou que as manifestações são direito constitucional, e que a PM fará a segurança da população e dos manifestantes. “Desde que não haja violência, os atos estão dentro da lei”, disse ele.