Somália na África. Imagem: reprodução

AGÊNCIA REUTERS

Uma criança de dez anos morreu após uma mutilação genital feminina na Somália, o país que tem uma das taxas mais altas desta prática. A jovem foi levada pela mãe a uma circuncisadora tradicional no dia 14 e morreu dois dias depois no hospital devido a uma hemorragia.

“Suspeita-se de que a circuncisadora lhe tenha cortado uma veia importante”, disse Hawa Aden Mohamed, que dirige um grupo local de mulheres, o Galkayo Education Center for Peace and Development (GECPD). “A mulher que fez a operação não foi detida mas, mesmo que fosse, não há lei que assegure que seria punida pelo ato. Este é apenas um dos casos diários que acontecem na Somália”, afirmou.

Cerca de 200 milhões de meninas e mulheres no mundo passaram pela mutilação genital feminina, o que envolve a remoção parcial ou total dos órgãos genitais e tem riscos para a saúde, dizem as Nações Unidas. A Somália tem uma das taxas mais altas desta prática, com 98% das mulheres entre os 15 e 49 anos a serem sujeitas a este ritual. Muitos dos circuncisadores tradicionais usam facas ou lâminas não esterilizadas.

Apesar de ser proibida pela Constituição da Somália – um país assolado por décadas de guerra civil –, os esforços para aprovar legislação que puna os que a praticam têm sido boicotados pelos deputados, com medo de perderem votos. Os ativistas dizem que há muito trabalho a ser feito. Conhecer as consequências da mutilação genital feminina e criminalizar o ato podem ser convencimentos fortes.

“Os lobistas da mutilação genital feminina muitas vezes insistem numa visão sem sentido de que não tem consequências para a saúde mas isso é completamente falso”, disse Brendan Wynne da Donor Direct Action, um dos grupos que ajudam as associações locais. “Não temos mais tempo para qualquer debate sobre os malefícios da mutilação genital feminina e este caso, como outros, prova-o. A mutilação genital feminina só terminará quando os governos tomarem medidas fortes para proteger as mulheres em risco”.