Industrial e Intendente: duas das cinco escolas estaduais de Itabirito. Fotos: reproduções

O Governo do Estado de Minas Gerais não paga há sete meses as contas de água das escolas estaduais de Itabirito (Região Central de MG). Resultado: o fornecimento foi cortado.

Essa é a situação das instituições: Intendente Câmara, Raul Soares, Henrique Michel, Professor Tibúrcio e Engenheiro Queiroz Júnior (Industrial). “Não podemos tomar água porque não podemos ir ao banheiro por falta de água. É um descaso com a gente. É humilhante demais. Buscamos água no parquinho (vizinho à escola) para fazer o básico. E o pior é que o banheiro da Unidade Básica de Saúde (também vizinha à escola) está em reforma”, disse a secretária da Escola Estadual Professor Tibúrcio, Maria de Lourdes, conhecida como Lourdinha.

Atualmente, em janeiro, as escolas estão com seus alunos e professores em férias. Contudo, há funcionários da secretaria e de serviços gerais que precisam tomar água, ir ao banheiro e fazer limpezas de materiais.

Esses funcionários, das 8h às 12h, fazem o trabalho de atender pedidos de matrícula, bem como fazem o planejamento para o fechamento de turmas e aberturas de novas outras.

A situação na Escola Estadual Intendente Câmara também é complicada. “Chegou ao ponto de nós termos de comprar água para beber”, garantiu o diretor da instituição, Elysio Guimarães Ruggeri.

Na Intendente, somente um banheiro funciona. Resta saber até quando. Isso porque não está havendo reposição de água na caixa.

A água, nas cinco escolas, foi cortada no dia 20 de dezembro. A soma das contas de todas as instituições estaduais de ensino de Itabirito tem valor de R$ 49 mil. São sete meses de atraso no pagamento. “Era comum o Estado atrasar três meses, por exemplo, mas depois pagava”, disse o diretor da escola Intendente.

Segundo a secretária Luciana Duarte, a realidade na Escola Estadual Engenheiro Queiroz Júnior é um pouco mais confortável. Isso porque a instituição tem um grande reservatório de água que é suficiente para todo este mês de férias.

Contudo, as aulas voltam no dia 19 de fevereiro. E é preciso resolver a pendência. “Sem água, não tem aula”, disse Elysio.

Que fique claro: não são as instituições de ensino as responsáveis pelo pagamento das contas de água e luz da escola, e sim a Secretaria de Estado da Educação.

O Governo do Estado de Minas Gerais não dá resposta. As escolas estão sem informação. A coisa é tão gritante que a Superintendência Regional de Ensino de Ouro Preto (a representante oficial da Secretaria Estadual de Educação) teve o telefone cortado. A reportagem tentou ligar 22 vezes até que ficou sabendo da desativação.

Contatos entre escolas e superintendência estão sendo feitos somente via e-mail.

O Minuto enviou uma mensagem à Regional, mas até agora sem retorno.

Saae

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) autarquia da Prefeitura de Itabirito, por meio da assessoria de comunicação, confirmou que o Estado não paga a conta das escolas há sete meses.

“Foram feitas inúmeras notificações ao Estado, via e-mail e telefone, mas não obtivemos resposta. O Saae cumpre o regulamento que vale para qualquer cidadão e instituição, ou seja, com um mês de atraso, a água pode ser cortada. Sabemos do caráter social das escolas, temos um bom relacionamento com o Estado e estamos sempre dispostos a negociar. Por isso, o abastecimento foi interrompido, depois de sete meses de atraso na conta, somente no mês de férias para que haja tempo de resolver a pendência antes do retorno das aulas. Trata-se de uma dívida de R$ 49 mil, e nenhum sinal de negociação. Não temos o objetivo de cortar água de ninguém. O que prezamos é a distribuição de água de qualidade para todos”, informou a assessoria de comunicação do Saae de Itabirito.

Propaganda enganosa, Ouro Preto e Mariana

Há pouco tempo, o Governo de Minas, sob a liderança de Fernando Pimentel (PT), propagandeou que os serviços básicos no Estado estavam sendo feitos. A intenção era passar um ar de responsabilidade e ao mesmo tempo de diferenciação entre Minas e outros estados, como o Rio de Janeiro (que está falido).

Entretanto, sabe-se que o estado mineiro enfrenta uma séria crise e aparentemente faltam competências para, de fato, superar os obstáculos.

Crise na saúde de Minas, com filas intermináveis para cirurgias, por exemplo; atraso no pagamento do 13º de servidores estaduais e, agora, o atual problema nas escolas estaduais de Itabirito etc

Todavia, a situação relatada das instituições de ensino é, aparentemente, de fato, itabiritense.

O Minuto Mais ligou para escolas das vizinhas Ouro Preto e Mariana, e constatou que nas instituições de ensino dessas cidades não há corte no abastecimento de água.

Na Escola Estadual Dom Pedro II, em Ouro Preto, por exemplo, falta água, de vez em quando, mas pelo fato de o abastecimento no município ouro-pretano ser um “problema histórico”.