“Barragem não se rompe da noite para o dia, ela dá sinais”, diz especialista

Com exclusividade, o Minuto Mais conversou com um expert em gerenciamento de risco que afirma que a imagem da Samarco foi afetada por causa da tragédia

Bento Rodrigues, distrito de Mariana, é devastado pela lama - Foto: Douglas Magno/AFP Photo

O Minuto Mais conversou com exclusividade com o engenheiro de Minas, especialista em gerenciamento de risco e consultor internacional no tema, Eberson Cássio, para que ele fizesse uma análise do acidente em Mariana, Minas Gerais: o rompimento de uma barragem de contenção de rejeito que pode ter matado de 15 a 16 pessoas (até agora há duas mortes confirmadas) e devastou o distrito de Bento Rodrigues. Ele foi taxativo ao afirmar que “uma barragem não se rompe da noite para o dia, ela dá sinais antes de se romper”, disse ele.

Para o especialista, “antes de um rompimento, uma barragem apresenta trincas, gretas e movimentos que muitas vezes somente são percebidos com equipamentos adequados (radares e sensores) uma vez que esses movimentos são milimétricos”.

Perguntado se a Samarco possui os equipamentos citados, ele respondeu: “acredito que sim. Eu não tenho dúvida que a BHP, sócia na Samarco, é uma empresa de excelência em gerenciamento de risco. Contudo, houve um motivo para que o rompimento acontecesse. Alguns controles falharam ou não foram adequadamente mensurados”.

Segundo ele, “é impossível gerenciar em 100% os riscos de acidentes. Entretanto, a essência do gerenciamento é minimizá-los ao máximo. As consequências de uma tragédia como a que aconteceu em Mariana atingem a imagem da empresa”.

Perguntado por que é que no Brasil ninguém vai preso quando acontece uma catástrofe desse tipo, ele se esquivou: “isso tem de ser perguntado a um advogado”.

Abalos

Segundo o jornal Estado de Minas, o professor George Sandes, do Observatório Sismológico da  Universidade de Brasília (Unb), confirmou na manhã de sexta-feira, dia 6, que foram registrados na região de Mariana, ontem, dois tremores de terra seguidos. O primeiro, às 14h12, com intensidade de 2,5 graus na Escala Richter, o segundo um minuto depois, de 2.7 graus.  Contudo, o especialista disse que ainda não é possível afirmar se os eventos sísmicos têm relação com o rompimento das barragens de rejeitos da Mineradora Samarco.

Segundo ele, a relação entre os tremores e a tragédia ainda depende de estudos mais aprofundados. Sandes lembrou que as barragens de rejeitos devem ser construídas com a estrutura capaz de suportar fenômenos naturais como tremores de terra e lembrou que na própria mineração são feitas detonações que provocam abalos. “Caberá ao pessoal da geotecnia avaliar se a barragem estava em condições de suportar a atividade sísmica”, afirmou o professor.

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