Protesto em Mariana feito por alunos e professores da Ufop. Foto: divulgação

MARIANA (MG) – Estudantes e professores do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), na quarta-feira (13), fizeram um protesto no campus marianense e pelas ruas de Mariana “em favor da retomada do diálogo com a arquidiocese em prol da manutenção do ICHS no imóvel”, escreveu o professor universitário Erisvaldo dos Santos, por meio de seu perfil no Facebook.

Dia 13 em Mariana. Foto: divulgação.

Em 1980, o imóvel foi cedido, pela Igreja à universidade, em comodato. A contrapartida da escola seria restaurar o espaço. Contudo, como admite o próprio professor, o imóvel está em ruínas.

Para a Arquidiocese de Mariana, a Ufop não cumpriu com o acordo. Somado a isso, a administração eclesiástica, na versão da Igreja, tem contestado na Justiça o pedido judicial da universidade que reivindica a posse do imóvel.

A arquidiocese afirma que não cessou qualquer tipo de diálogo e que nunca pediu a remoção imediata da escola.

Há um disparate nas versões. Estudantes e professores dizem que a igreja não quer dialogar. A arquidiocese nega que haja interrupção da conversa.

Mariana (MG). Foto: divulgação

A igreja tem vencido na Justiça porque de fato é a dona dos prédios (são mais de um). E a universidade, por sua vez, não cumpriu com o que foi acordado: de recuperar o Patrimônio Histórico.

Em meio ao “fogo cruzado”, os estudantes são as primeiras vítimas. 

Versão dos manifestantes

O professor Erisvaldo escreveu em seu Facebook:  

“(…) precisamos alinhar nosso discurso em termos analíticos, para evidenciar o que está em jogo na ordem judicial de desocupação do ICHS. Não dá para acirrar a briga com a Arquidiocese de Mariana que tem direitos históricos e afetivos sobre o prédio do Antigo Seminário Nossa Senhora da Boa Morte. Precisamos reinstalar o diálogo com o objetivo de sensibilizar a Igreja Católica na defesa do ensino superior público, gratuito, laico e socialmente referenciado. Isso é muito mais do que defender a função social de um imóvel da Igreja, porque implica em defender conquistas do Estado Democrático de Direito, as quais estão garantidas na Constituição de 1988! Estamos perdendo essas conquistas e todas as outras relacionadas à expansão da educação superior para a população negra e as camadas mais pobres de nossa sociedade! A Igreja Católica de Mariana não pode se furtar a uma tarefa fundamental da tradição cristã neste momento: Discernimento!”.

Versão da Igreja

A Arquidiocese de Mariana, em nota oficial assinada pelo arcebispo Dom Geraldo Lyrio Rocha, divulgou:

“1. Na década de 1980, a Arquidiocese de Mariana cedeu em comodato à Ufop o prédio do antigo Seminário Nossa Senhora da Boa Morte, por 50 anos, e o denominado Prédio das Aulas e o Palácio dos Bispos, por 30 anos. Em contrapartida, a Ufop se responsabilizaria pela restauração e conservação desses prédios, o que não ocorreu em relação ao Palácio dos Bispos e parte dos prédios antigos. Posteriormente, a Ufop reivindicou para si a propriedade dos prédios pertencentes à arquidiocese, o que motivou uma ação judicial julgada favoravelmente à arquidiocese em todas as instâncias;

2- Após a decisão definitiva da Justiça emitida em 27 de agosto de 2016, que, entre outras determinações, estabelece o fim do comodato, a arquidiocese tem mantido diálogo de negociação com a Ufop em vista do cumprimento da sentença judicial. Ainda não se chegou a uma conclusão nessas negociações;

3- A bem da verdade, em nenhum momento a Arquidiocese de Mariana exigiu da Ufop a desocupação dos prédios. 

Fiel à sua missão evangelizadora e ao seu compromisso com a educação e a cultura, a Arquidiocese de Mariana se mantém aberta ao diálogo com a Ufop, em busca de solução que seja satisfatória para ambas as partes”.