OUTUBRO ROSA – Francislene Cristina Freitas (38), moradora do São José, em Itabirito (Região Central de Minas), foi diagnosticada com câncer de mama há cerca de um ano. Passou por exames e tratamentos, viu morrer pacientes/amigos com a mesma doença, perdeu os cabelos, ficou inchada, teve enjoos constantes e não mais tem algumas amizades de antes da doença. Teve momentos tristes diante da realidade. Atualmente, faz tratamento com uma junta médica que inclui oncologista, mastologistas, psicólogas e psiquiatra. Está afastada do trabalho pelo INSS (…). Com isso, pode-se supor que ela viva em um quadro depressivo, desenganada pelas agruras da vida. Ledo engano. Francislene tem sempre um sorriso estampado no rosto. Se ela tem algo muito mais poderoso que o tumor cancerígeno é a sua vontade de viver. Disse ela ao Minuto Mais: “Vou vencer o câncer. É uma luta diária (…) por meio da qual aprendi a dar mais valor à minha família e aos meus amigos que continuaram nossa amizade. Hoje ‘enxergo’ melhor a beleza de um jardim florido. E me lembro com alegria do dia em que consegui tomar um copo inteiro de água (ato simples que durante meses, mediante o tratamento, não conseguia realizar)”.

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Como se bastasse a “fé na vida”, ela quer que outras pessoas, na mesma situação, acreditem na superação do câncer. “Para quem leva o tratamento muito a sério, os resultados são bons. São muitos os recursos. Aprendi a não ficar muito ansiosa”, garantiu.

Francislene em ensaio para o fotógrafo Ronan Pedroza

E com esse intuito de ajudar, ela já ministrou palestras incentivando o tratamento. Atitude que vai ao encontro do “Outubro Rosa”, época de conscientização de mulheres com relação aos cânceres de mama e colo do útero.

Em uma dessas ações de colaborar para um mundo que enfrente o câncer, Francislene estará em Cachoeira do Campo, distrito de Ouro Preto, em 30 de outubro, ministrando uma palestra sobre o assunto.

Luta pela Vida

Há pouco mais de um ano, em um exame de rotina, a enfermeira Lauani, da Unidade Básica de Saúde Central de Itabirito, descobriu um nódulo no seio de Franscilene. A paciente, então, foi encaminhada para Centro Viva Vida, em Itabirito. O Centro é público e mantido pela parceria Prefeitura e Governo do Estado. Seguindo o ritmo do SUS, sob os cuidados da médica mastologista Fernanda Collen, Francilene deu início a uma série de exames.

Ela durante a quimioterapia e radioterapia: inchada e sem os cabelos. Foto: arquivo de família

Nessa época, Franscislene estava desempregada. Contudo, durante a bateria de exames, teve a sorte de conseguir um emprego. Passou a ter direito, então, um convênio empresarial que deu a ela direito a um tratamento particular. Não abandou o Sistema Único de Saúde por considerar a médica do Centro Viva Vida “maravilhosa”. “Se tivesse continuado somente pelo SUS, provavelmente, eu entraria em uma série de filas de espera que dificultaria o tratamento”, acredita.

Usando o convênio, Francilene, com a aval da profissional do Vida Vida, começou um tratamento com outra médica mastologista, dessa vez, particular, Lúcia Aiko (que também atende pelo SUS). Por meio de uma biopsia, foi constatado que o tumor era, na verdade, um câncer.

A doutora Lúcia proferiu palavras que mudaram a perspectiva de Francislene: “ou você deita numa cama e cai em depressão ou luta por sua vida”. Francislene escolheu o segundo caminho.

Encaminhada para a médica oncologista Ana Carolina Gonçalves, de Belo Horizonte, Francilene começou quimioterapia (pelo Onconcentro por meio do convênio) e, depois, a radioterapia (pelo Hospital da Baleia via SUS).

Foi quando ela ficou careca, muito inchada e se sentia mal constantemente. Por causa da quimioterapia, teve pedra na vesícula. Todavia, o sorriso não saia de seu rosto. A vontade de viver era a prioridade, e o tratamento levado ao “pé da letra”.

Relacionamento

Foto: Ronan Pedroza

Há cerca de dois meses, o noivo de Francislene terminou o relacionamento entre os dois. Questionada a respeito do motivo, ela respondeu: “Muitos homens não querem uma mulher com câncer”. Ao dizer a frase, Francislene ficou séria, não sorriu.

Todavia, em questão de segundos, mudou de assunto e voltou a demonstrar alegria. Mas não sem antes relatar um dado importante: “80% das mulheres com câncer são abandonadas pelos companheiros”. Portanto, o que aconteceu com ela não é um caso isolado.

Francislene hoje

Depois de um ano, ela está aparentemente bela, como antes do tratamento. Não mais faz quimioterapia nem sequer radioterapia. Todavia, por causa da “químio”, passou a ter pedra na vesícula.

Francislene se sente mais poderosa que o câncer. Foto: Ronan Pedroza

Voltando ao assunto “câncer”, ela já fez uma cirurgia de nama, precisa fazer uma segunda operação. Mas antes tem de retirar as pedras. “Caso contrário, pode dar pancreatite”, esclareceu ela.

Apesar de aguardar as cirurgias, ela não mais está inchada, seu cabelo está crescendo. A valorização da vida, associada à vontade de ajudar pessoas, traz a ela uma beleza especial.

Francislene tem inúmeras sugestões para dar a Itabirito, aos vereadores e à administração municipal. A formação de grupos de mulheres para expor assuntos como prevenção do câncer é uma delas.

Na palestra do dia 30 de outubro, Francislene incentivará mulheres a fazerem o autoexame para perceber algum nódulo no seio. “Se tiver dúvida, procure o ajuda especializada. Não procure o vizinho ou informações no Google. E sim uma Unidade Básica de Saúde em que todos têm acesso”, afirmou.

Foto: Ronan Pedroza

Francislene pediu ao Minuto que colocasse agradecimentos feitos por ela: à Secretaria Municipal de Saúde de Itabirito que lhe dá transporte para que ela possa fazer o tratamento em BH, às Unidades Básicas de Saúde itabiriteses – Central e do São José, às medicas e a profissional enfermeira citadas nesta matéria e ao doutores Marlon (psiquiatra), Flávia e Priscila (psicólogas). “A gratidão é a alma do coração”, acredita ela.

Para as mulheres com câncer, mais um aviso: “Tenha coragem, vocês não estão sozinhas e têm direitos: como o de não pagar IPVA, transporte gratuito urbano e estadual, tratamento digno e direito a medicamentos”, garantiu ela com base em lei.