Um dos tapetes em homenagem à Marielle Franco (PSOL) destruídos em Ouro Preto. A peça estava em fase de montagem Foto: Arquivo Pessoal

OURO PRETO (MG) – Uma polêmica envolveu a Guarda Civil Municipal (GM) ouro-pretana e algumas pessoas que estavam fazendo tapetes devocionais na mais recente Semana Santa da cidade histórica. Foram destruídos pela GM, tapetes que faziam referência à morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada em 14 de março no Rio de Janeiro, bem como tapetes que homenageavam o jovem Igor Mendes, assassinado em Ouro Preto por um policial militar em setembro do ano passado.

A ação da Guarda atendeu a recomendação das Paróquias de Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora do Pilar de acordo com nota assinada pelas instituições religiosas: “Os tapetes remontam à Festa do Triunfo Eucarístico de 1733. Eles se direcionam, única e exclusivamente, para o Santíssimo Sacramento que é levado, solenemente em Procissão”, informaram. As igrejas disseram ainda que agiram junto com a Prefeitura e a guarda. “Deliberamos para que se mantivesse a tradição em respeito à finalidade primeira dos tapetes”, afirmaram.

As paróquias reforçaram que respeitam “a consciência de cada um e o direito de manifestar, contudo, entendendo que os tapetes, por sua motivação religiosa, são inapropriados para manifestações político-partidárias, ideológicas e de homenagens a pessoas”.

O fato ganhou repercussão na imprensa nacional.

Por meio do boletim de ocorrência, a GM de Ouro Preto informou que tentou negociar a retirada dos tapetes, mas sem sucesso.

Os manifestantes

Em entrevista ao Portal G1, o autor de um dos tapetes em discussão (tal cidadão não foi identificado pelo portal da Globo) disse: “o tapete estava sendo desenhado quando um comandante da Guarda Municipal passou e disse que teria que retirar porque o tapete é um patrimônio; e disse que isso era uma ordem”.

O G1 informou ainda que o grupo questionou a ordem. “O guarda então disse que a determinação veio do padre e que o tapete com a temática feita não era católica”, afirmou o manifestante de acordo com o site.

Segundo o autor, no tapete estava escrito: “Marielle Vive”, com o rosto de uma mulher negra. Eles ainda iam completar a decoração com flores. “Ele retornou com outros guardas e destruíram pisoteando e chutando os tapetes. Afirmaram que iam retirar todos os tapetes que não tinham motivação católica”, relatou ao portal.

O autor afirmou ainda que queria aproveitar o momento para protestar contra o crime bárbaro contra a vereadora e questionou a atuação da guarda. “Acho que a guarda agiu, primeiro, de forma ilegal. Eu acho que é uma motivação muito pessoal do comandante. Foi abuso de autoridade da parte dele. Comunica muito com a questão da Marielle que se posicionou contra a violência policial e arbitrariedade”, disse.

Com a palavra, a GM de Ouro Preto

Em entrevista ao Minuto Mais, o comandante GM Jonathan Marotta disse: “Não somos contra nenhum tipo de manifestação, desde que não fruste outra previamente marcada, no caso os tapetes devocionais da Semana Santa. A liberdade de expressão não pode ser tida como um passe livre para importunar outras pessoas. Os fiéis que participam da Semana Santa exigem respeito, e a guarda vai garantir isso”.