Armas entregues, em Acuruí, à PM de Itabirito. Foto PMMG

Porte de arma tem de ter autorização da Polícia Federal e esse aval não é simples de se conseguir. Portanto, ter arma em casa ou andar armado, sem porte, é contra a lei. Sendo assim, os cidadãos devem entregar suas armas. Lembrando que boa parte das armas que pessoas de bem têm em casa acabam na mão do bandido. Isso apesar de muitos acreditarem que a paz é possível com o armamento da população.

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Um exemplo para Itabirito aconteceu em 26 de agosto, por volta das 13h. Um senhor comunicou à Polícia Militar, na Rua Principal de Acuruí, distrito de Itabirito, que teria em casa um verdadeiro arsenal de armas antigas. Isso durante a operação “Alferes Tiradentes”.

Sendo assim, ele entregou à PM 4 armas de fogo, sendo um rifle calibre 22, um garruchão calibre 36, duas espingardas polveiras, três cartuchos calibre 36 intactos e um frasco contendo pólvora.

As armas e as munições foram encaminhadas à DP local. Atenderam à ocorrência o soldados Trindade e Souza.

Veja a seguir dados da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). O assunto é “armamento”

Ter armas em casa aumenta o risco, não a proteção

Usar armas em legítima defesa só dá certo no cinema. Segundo o FBI (FBI, 2001), “para cada sucesso no uso defensivo de arma de fogo em homicídio justificável, houve 185 mortes com arma de fogo em homicídios, suicídios ou acidentes”.

As armas em casa se voltam contra a própria família. Os pais guardam armas para defender suas famílias, mas os próprios filhos acabam por encontrá-las, provocando-se, assim, trágicos acidentes. No Brasil, duas crianças (entre 0 e 14 anos) são feridas por tiros acidentais todos os dias (Datasus, 2002).

A presença de uma arma pode transformar qualquer cidadão em criminoso

Armas de fogo transformam desavenças banais em tragédias irreversíveis. Em São Paulo, segundo a Divisão de Homicídios da Policia Civil (DHPP-SP, 2004), o primeiro motivo para homicídios é “vingança” entre pessoas que se conhecem e que não possuem nenhum vínculo com o tráfico de drogas ou outras atividades criminosas.

Para se ter uma ideia, em São Paulo, as vítimas de latrocínio – matar para roubar –
correspondem a menos de 5% das vítimas de homicídio (S. de S. Pública -SP, 2004)

Quando existe uma arma dentro de casa, a mulher corre muito mais risco de levar um tiro do que o ladrão.

Nas capitais brasileiras, 44% dos homicídios de mulheres são cometidos com arma de fogo (Datasus, 2002). Dois terços dos casos de violência contra a mulher têm como autor o próprio marido ou companheiro (Datasenado, 2005). De acordo com dados do FBI, relativos a 1998, para cada vez que uma mulher usou uma arma em legítima defesa, 101 vezes esta arma foi usada contra ela.

Em caso de assalto à mão armada, quem reage com arma de fogo corre mais risco de morrer

É um mito considerar que com uma arma o cidadão está mais protegido. Na maioria dos assaltos, mesmo pessoas treinadas não têm tempo de reagir e sacar sua arma. Quando o cidadão reage, ele corre mais risco de se ferir ou ser morto. Uma pesquisa realizada no estado do Rio de Janeiro mostra que: “a chance de morrer numa reação armada a roubo é 180 vezes maior de que morrer quando não há reação. A chance de ficar ferido é 57 vezes maior do que quando não há reação.” (Secretaria de Estado do RJ, 2000).