Janderson e a sua filha Maria Tereza. Depois de ficar a noite acordada chorando, ela pode dormir na tarde desta terça na maternidade do hospital de Itabirito. Foto: Minuto Mais

Quatro recém-nascidos ocupavam uma sala da maternidade do Hospital São Vicente de Paulo, em Itabirito (MG), na noite desta segunda-feira (31) para terça-feira (1º), quando acontecia a festa da virada de ano no Itabirense Esporte Clube. Segundo relatos, o som do evento, que começou às 22h, não estava incomodando muito. Contudo, em plena madrugada, por volta das 2h, começou a apresentação de um DJ que teria feito as janelas do hospital tremerem. Os recém-nascidos da maternidade, então, acordaram durante toda a noite, assustadíssimos, não só com a música, mas com os “estrondos pirotécnicos” que faziam parte da apresentação. Resultado: eles passaram a noite chorando desesperadamente.

Segundo relatos de pais, com base em informação da Central de Polícia, foram 51 ligações reclamando por meio do telefone 190 (emergência da Polícia Militar – PM). “A informação é que o clube teria alvará para funcionar. O Itabirense chegou a desligar o som durante um tempo, depois que a PM esteve lá, mas eles religaram o som. Era triste ver a carinha de minha filha acordando assustada toda vez que havia um estrondo. E por causa da música, ela e os outros bebês custaram para dormir. Foi assim a noite toda”, disse o pai da recém-nascida Maria Tereza, Janderson Santos Ramos (25). “Imagino como não devem ter ficado os enfermos que precisavam descansar”, refletiu ele.

Segundo o reclamante, o barulho durou até as 5h30. Horário esse contestado pelo responsável pelo som.

Outro lado

O Minuto Mais foi até o local onde ficam as piscinas do Itabirense Esporte Clube, espaço da festa, pode-se dizer: ao lado do hospital.

Ninguém do clube foi encontrado. Contudo, o responsável pelo som, Igor Vanderley dos Santos, dono da Wm Someluz Multsom, afirmou que a música foi desligada às 4h05, e que o som estava dentro do limite permitido (80 decibéis). Afirmou também que DJ se apresentou por 40 minutos. “Outra coisa: réveillon é uma vez por ano!”, disse ele.

O Minuto pegou o número do telefone de uma funcionária do clube para obter mais dados da versão dos promotores do evento. Contudo, ela não atendeu às ligações.

Segundo informações extraoficiais, vindas dos funcionários do hospital, às sextas-feiras costumam acontecer festa no Itabirense, e por causa disso, os transtornos são uma constante.

O Minuto está de portas abertas para qualquer tipo de contestação desta matéria vinda dos promotores do evento. O direito de resposta é garantido no Minuto. O telefone do site é (31) 9 8798 5664.

Opinião do site Minuto Mais

No que diz respeito a esta matéria, houve contestação de um funcionário da empresa de som afirmando que em Itabirito “não pode haver ‘nenhum tipo de festa’, que o povo reclama”.

Tal afirmação tem base na verdade. Contudo, no caso específico, deve-se ater às prioridades. O que é mais importante? A paz de enfermos e bebês em um hospital ou a diversão de frequentadores de um clube? É algo a se pensar.

A verdade é que muitos querem se divertir. E diversão é muito importante na vida de qualquer pessoa. É fundamental. Mas suportar barulhos na “porta de casa” na hora de dormir, definitivamente, não é fácil. Principalmente, se a “zoeira” semanal dura “anos a fio”.

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