Um documentário está sendo produzido pela produtora Memória Viva, de São Paulo, sobre uma atleta que não se curvou perante a ditadura militar brasileira. Irenice Maria Rodrigues foi corredora dos 800 metros, representante do Brasil nas Olimpíadas de 1968, no México. A história dela foi praticamente apagada a mando dos militares. Irenice era de Itabirito.

PUBLICIDADE
WhatsApp Minuto Mais

Segundo a Confederação Brasileira de Atletismo, no Brasil, o primeiro recorde reconhecido foi o da atleta, nos Jogos Panamericanos de Winnipeg, no Canadá, em 1967.

Ela foi campeã sul-americana, uma das grandes atletas de seu tempo. A itabiritense teve a coragem de ir contra a ditadura. “É uma honra poder contar a história dessa mulher em rede nacional. É impressionante como o povo de Itabirito não sabe do papel dela no mundo do atletismo”, disse Renata Jardim Mendonça, produtora executiva da empresa que fará o documentário, em entrevista ao Minuto Mais.

O filme com a vida de Irenice deve ser exibido pela ESPN, um dos canais esportivos mais importantes do mundo. Até agora, já foram feitos mais de 30 documentários de atletas relevantes que “foram esquecidos” pelos brasileiros. Todos exibidos pelo canal.

“Como é difícil acordar calado”

Pobre, negra, mulher e com personalidade forte. Na cabeça dos militares, ela não poderia ser o símbolo do “país do futuro”. Irenice Maria Rodrigues foi uma das lideranças de greve contra o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) em 1967, era crítica radical da estrutura esportiva brasileira, recordista continental em competição proibida para mulheres no Brasil Militar.

Irenice Maria Rodrigues destaque jornal da época
Irenice, destaque em jornal da época

Poucos jornais da época contam sua história. Uma greve contra o COB, declarações contra o preconceito de raça e gênero, brigas para defender companheiros em plena Olimpíadas de 1968, e expulsão da delegação. Essas histórias fazem parte da vida de Irenice. Após este último incidente, o nome dela despareceu do noticiário.

A família de Irenice

A mãe de Irenice era Amazilis Brígida Rodrigues. O pai era Deodato Rodrigues. Ela tinha um irmão confirmado: Tesmo Rodrigues. Todos já falecidos segundo informações do cartório de Itabirito. Irenice foi sepultada em Itabirito no dia em 27 de abril de 1981.

Há também uma informação de que ela poderia ter outro irmão: Dormedi Rodrigues, nascido em 23 de agosto de 1942. Não se sabe se este está vivo.

O nome do filme será “Procura-se Irenice”. A produtora pede apoio aos moradores de Itabirito para obter outras informações sobre ela, e para conseguir uma carta de anuência da família. Isso para que o documentário possa ser exibido.

“Caso alguém tenha informação sobre algum familiar dessa atleta, por favor, entre em contato com a gente”, disse produtora.

O internauta disposto a ajudar pode fazer contato com o site Minuto Mais – que é parceiro nesta produção, pelos telefones (31) 8874-2995 ou (31) 8576-9750. Ou pelo formulário de contato – clique aqui.