Luciana Senem, responsável por receber as denúncias de crimes contra mulheres em Itabirito. Denúncia de violência contra a mulher pode ser feita pelo 180 (ligação gratuita) ou pessoalmente na delegacia. Foto: Minuto Mais

Em 99% das ocorrências de violência doméstica em Itabirito (MG), a vítima é mulher. Segundo a escrivã responsável pelos casos que se enquadram na Lei Maria da Penha, Luciana Senem, da delegacia de Itabirito, “é preciso que a vítima ou uma testemunha denuncie, o que muitas vezes não acontece. São situações graves demais para ficarem impunes”. Em Itabirito, somente em 2017, foram mais de 300 casos registrados na Polícia Civil de crimes contra mulheres.

O Minuto Mais esteve, nesta quinta-feira (21), na Delegacia de Polícia Civil (PC) itabiritense para pegar informações a respeito de um caso que chocou a cidade e que envolveu a vítima Cláudia Conceição da Silva (38). Ela está em observação no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. Cláudia foi espancada pelo namorado Moisés Augusto de Lima (31), no sábado (16), em um bar do bairro São Matheus. O motivo seria passional.

No dia seguinte, ela foi internada com isquemia cerebral, problema que se dá por falta de oxigenação no cérebro. Segundo a ocorrência policial, no domingo (17), Cláudia, por causa da complicação médica, estava aérea, olhando em um ponto fixo, com fala desconexa.

Não há certeza absoluta de que quadro de saúde da vítima tenha relação direta com a violência sofrida por ela. 

Moisés. Foto: reprodução

Dois médicos legistas ouvidos pela Polícia Civil de Itabirito disseram que a isquemia cerebral não se dá por causa de espancamento. Contudo, a tensão nervosa pode sim desencadear o problema.

Outra hipótese é de que a hemorragia que ela teve pode ter sido provocada pela violência e este problema médico especificamente teria contribuído para a isquemia.

A avaliação médica final, segundo Luciana, será com base no que concluírem os especialistas do João XXIII.

Moisés não está sendo procurado pela polícia. Não há mandado judicial contra ele. As investigações estão no começo “Fomos até a família da vítima hoje para sabermos o que de fato aconteceu”, disse Luciana.

Moisés tem histórico de violência. Ele já responde a um processo por ter batido em outra namorada há cerca de dois anos.

“Em situações de violência contra a mulher, a delegacia deve ser procurada. Em 100% dos casos de pedidos de medidas protetivas, a Justiça defere. Sendo assim, o autor tem de manter distância da vítima”, disse Luciana.

Atualizada às 21h25 de 21/12/2017.