“Parte das músicas que toco é gospel”, diz DJ da Parada Gay de Itabirito

DJ da Parada Gay em ItabiritoEm entrevista ao Minuto Mais, Fernando Martinho Ferreira, 35 anos, de Belo Horizonte, conhecido como DJ Fernando Bass, revela que maioria das músicas que são tocadas em suas apresentações em paradas LGBTs é gospel norte-americana. O gênero ligado principalmente às igrejas evangélicas é usado por vários DJs sob a forma de “mashup” – termo cunhado das criações de pops que combinam duas ou mais músicas, muitas vezes embaralhando vocais e melodias de gêneros e de estilos completamente diferentes. Ou seja, uma letra gospel com batida diferente. O uso da música se dá apesar da opinião de muitos líderes evangélicos que são contrários a qualquer manifestação LGBT. Fernando Bass será o DJ da Parada do Orgulho Gay de Itabirito que acontecerá dia 9 de novembro.

Minuto Mais – Qual é a sua especialidade como DJ?

Fernando Bass – São vários os estilos, mas principalmente o house tribal, bem como músicas dos anos 80 e 90, na forma do estilo mashup.

Existe alguma mensagem embutida em sua música?

Sim, a maioria das músicas que toco é letra do gospel morte-americano com ritmo dançante. São músicas que trazem mensagem de amor à vida e não ao preconceito. Uma das minhas referências é Aretha Franklin. É bom salientar que tenho também como referência cantoras que tiveram suas origens no gospel, como Christina Aguilera e Beyoncé. As músicas de meu repertório são voltadas à liberdade de expressão e relacionadas a movimentos sociais.

Você é homossexual?

Sim.

Como foi assumir essa condição para a sua família?

Não cheguei a conversar com meus familiares, mas todos eles sabem. Eles são de origem portuguesa e têm o machismo como característica. Não tocamos no assunto, mas eles me respeitam.

Como você vê parte do povo brasileiro que sempre se divertiu e viu com carinho o finado Jorge Lafond (“a” Vera Verão, da Praça é Nossa), por exemplo, mas não consegue enxergar, com bons olhos, o gay que quer direitos iguais na sociedade?

Uma coisa é criar personagens que sempre estão fazendo graça. Outra coisa é o homossexual que luta pelos seus direitos de criar filhos e ter uma família reconhecida, por exemplo. Essa graça não ajuda a mídia a entender como funciona o movimento LGBT.

Você faz parte da ONG Cellos, uma reconhecida entidade LGBT, de Belo Horizonte. Como ativista, responda: o gay não assumido tem de “sair do armário” se ele estiver feliz dentro dele?

Não. É uma particularidade. Mas “dentro do armário” ele não contribui para importantes mudanças dentro do sistema.

Algumas pessoas acreditam que o gay militante LGBT queira privilégios. O que você pensa sobre isso?

Não queremos privilégios. Uma de nossas lutas principal é colocar a homofobia como crime de preconceito.

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