O coordenador de Política LGBT da Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Participação Social de Minas Gerais, Douglas Miranda, esteve em Itabirito, dia 17 de junho, a convite do ONG ItaLGBT. Ele conversou com políticos da cidade sobre “assistência integral à saúde da comunidade LGBT” e sobre as conferências municipal e estadual voltadas para esse público. Saúde integral, no caso, inclui a facilidade de acesso dos LGBTs à Unidade Básica de Saúde, por exemplo.

Em entrevista exclusiva ao Minuto Mais, Douglas Miranda afirmou que o Governo de Minas está iniciando uma discussão sobre a implantação de ambulatórios de transexualidade. “Trata-se de uma iniciativa do estado e não seriam implantados em todas as cidades de Minas”, disse o coordenador.

A ideia é que o ambulatório seja um espaço (público e médico) onde os transexuais pudessem fazer a operação de mudança de sexo via estado. Segundo o coordenador, nos moldes do que já acontece na Inglaterra.

E por falar em Reino Unido (do qual a Inglaterra faz parte), lá as leis são favoráveis à mudança de sexo por meio dos documentos individuais, independentemente de ter sido feita a cirurgia ou não.

O assunto dá “pano pra manga”. No Irã, por exemplo, de acordo com a Globo News, o gay é condenado à pena de morte. Contudo, neste mesmo país fundamentalista islâmico, o transexual tem o direito de fazer a cirurgia de mudança de sexo, por meio do estado.

Todavia, no mesmo Irã só é aceita a mudança de sexo de “homem” para mulher. Lá, muitos gays para escaparem da pena de morte, recorrem ao argumento de que são transexuais.

A discussão para a implantação dos ambulatórios públicos de transexualidade no Brasil está em sua fase inicial. A mudança de sexo é um processo delicado e geralmente conta com a participação de uma equipe médica na decisão para saber se a cirurgia é o melhor caminho.

Segundo Douglas Miranda, que é enfermeiro e especialista em gestão pública, tal procedimento médico-cirúrgico está mais avançado do que a maioria pensa e inclui a possibilidade de transformação de “homens” em mulheres e até de “mulheres” em homens (com a implantação de um pênis).

A intenção é beneficiar os transexuais adultos com transtorno de identidade de gênero. Pessoas que se sentem extremamente desconfortáveis com seu “sexo original”. Gays, lésbicas, transformistas e travestis (“não transexuais”) formam um outro grupo. Engana-se o heterossexual que pensa que todo gay quer ser uma mulher.

“Os transexuais têm o direito de viver em plenitude, com saúde psicológica, aceitando-se. Parte dos gays pode viver ‘no armário’, já o travesti e principalmente o transexual, não”, disse Douglas Miranda.

Que fique claro: o coordenador não veio à cidade discutir a implantação do ambulatório em Itabirito. Esse assunto específico surgiu durante a entrevista com o Minuto Mais.

Ele conversou sobre saúde LGBT com o prefeito Alex Salvador, com o vice-prefeito e secretário Municipal de Saúde, Wolney de Oliveira, com a secretária de Assistência social da Prefeitura, Jussara Vieira, e com os vereadores Rildo Xavier e Rocha do PT.

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