Itabirito terá a 1ª Conferência Municipal LGBT

A intenção é que diferentes segmentos da sociedade discutam políticas públicas para garantir igualdade de direitos e cidadania aos LGBTs  

A primeira pergunta que o Minuto Mais fez ao presidente da ONG ITA LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), Leandro Dias, quando ele anunciou que haveria a 1ª Conferência Municipal LGBT em Itabirito foi: “quais os anseios a serem alcançados nesse encontro? Dê pelo menos dois exemplos práticos e não genéricos”. A resposta de Leandro foi a seguinte: “legitimar em uma plenária democrática a garantia do acesso para que casais homossexuais possam participar do programa do governo federal ‘Minha Casa, Minha Vida’. Isso é claro desde que eles se enquadrem em determinado perfil socioeconômico, da mesma forma como já acontece na cidade de São Paulo. Outro objetivo é discutir como diminuir o impacto do preconceito contra orientação sexual nas escolas”.

É claro que as conquistas das chamadas minorias (no conceito sociológico) levam tempo. Negros e mulheres, por exemplo, também são vítimas de preconceitos, mas cada vez conquistam espaço. Com os LGBTs, não é diferente. Fazer a sociedade entender que ser gay não é uma escolha talvez seja o primeiro desafio.

Gene gay

Estudos científicos chegam a resultados diferentes quanto a possibilidade de existência de um “gene gay”. Contudo, não são raros os meninos que desenvolvem evidentes trejeitos afeminados, e meninas masculinizadas, isso sem terem contato com o universo gay. Associado às características citadas, esses meninos e meninas desenvolvem também desejo pelo mesmo sexo.

Segundo o brasileiro Eli Vieira, doutor em genética pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido, estudos publicados no Handbook of Behavior Genetics atestam que há sim contribuição dos genes na manifestação da orientação sexual. De acordo com o doutor em genética, esses estudos existem desde a década de 50. “Isso não é passível de ser negado mais, já se acumulou muitos resultados”, disse.

Ratificando a tese, Eli Vieira fala do caso de gêmeos. “Em todos os estudos, a possibilidade de gêmeos idênticos serem gays são bem maiores que nos gêmeos não idênticos (que tem a mesma similaridade genética de irmãos não gêmeos). Essa possibilidade aumenta, conforme aumenta o parentesco genético”, afirmou.

A conferência

De acordo com Leandro Dias, na conferência, não há restrição de público. A ideia é que a sociedade heterossexual também compareça. Afinal, de acordo com ele, não se trata de uma luta por privilégios e sim por direitos iguais.

Da conferência, será feito um documento que norteará parte das políticas públicas de Itabirito que “garantirá cidadania LGBT, direitos humanos e o acesso com igualdade aos diversos serviços públicos”, disse Leandro.

Como qualquer conferência, a LGBT acontecerá de dois e dois anos. A primeira será dia 15 de setembro, às 17h30, na Casa de Cultura Maestro Dungas.

 

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