Geni e seu pai senhor Silva: sofrimento. Foto enviada ao Minuto via WhatsApp

A situação do senhor Silva Pires Moura (de 82 anos), morador de Itabirito (MG), é um retrato da lastimável Saúde Pública do Estado de Minas Gerais. Ele precisa ser operado para combater uma hérnia. Problema que provoca nele muitas dores. Silva necessita fazer uma cirurgia em um hospital com CTI. Por sofrer de arritmia cardíaca, caso seu quadro se complique no pós-operatório, o CTI é fundamental. A espera pela vaga faz Silva sentir outro tipo de dor, tão forte quanto a física: a dor da angústia, do desespero, da sensação de estar sendo tratado como um ser com menos dignidade por depender do Sistema Único de Saúde (SUS).

Silva já está cadastrado na Central de Leitos. Portanto, aguarda uma vaga há quase uma semana. Contudo, na avaliação de dois médicos da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), o caso não é emergencial, e sim eletivo. Se ele corresse risco de morte (e aí sim seria uma emergência), o procedimento seria feito independente de o hospital ter ou não um CTI. A avaliação da UPA foi feita nesta quinta-feira (3) quando ele foi levado para a unidade por sua filha, Geni Aparecida de Moura Neves.

Informações extraoficiais dão conta de que, por não ser caso de emergência, com base na realidade do Estado, Silva pode aguardar na fila por mais de um mês.

Entretanto, nesta mesma quinta-feira, Silva obteve um laudo de médica de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) avaliando que o caso é sim de emergência. “É muita falta de respeito com o ser humano, com o Estatuto do Idoso. Falta de amor. É impressionante como está a situação da Saúde Pública”, desabafou Geni.

Outro lado

De acordo com a UPA de Itabirito, a hérnia do senhor Silva não está encarcerada. O que tornaria o caso não emergencial. E, ainda segundo a unidade, no momento do exame (feito nesta quinta), ele não apresentava dores. Segundo a coordenação da UPA, a avaliação cabe exclusivamente aos médicos e não tem como o coordenador fazer qualquer intervenção.

Silva ficou internado no Hospital São Vicente de Paulo por seis dias, mas recebeu alta. Extraoficialmente, sabe-se que a hérnia teria sido reduzida na instituição e, por isso, ele recebeu alta médica.

Mais informações extraoficiais dão conta que será feito um agendamento (na segunda-feira 7) de exames para que o senhor Silva faça a cirurgia em Ouro Preto em dia ainda não definido.

As mesmas informações extraoficiais garantem que ele é o primeiro da fila em Itabirito. A Santa Casa ouro-pretana é a única instituição com CTI na Região dos Inconfidentes.

A “solução Ouro Preto” é a única viável uma vez que tais procedimentos não estão sendo feitos em Belo Horizonte (que costumava receber pacientes de todo estado). Isso porque há um caos na saúde pública belo-horizontina que se instalou em consequência da questionável administração Fernando Pimentel (PT).

O fato de Silva ter conseguido alta pode ter complicado ainda mais a situação dele. A assessoria do deputado Alencar da Silveira Júnior (PDT), parlamentar que a pedido da família de Silva tentou ajudar, informou que o paciente internado gera um “número de internação”. Com esse número, o deputado poderia mandar uma carta para a Secretaria de Estado da Saúde, solicitando agilidade no processo. “Mas isso só poderia acontecer se Silva estivesse internado. Agora, só cabe à Geni procurar a Justiça”, disse uma assessora jurídica do deputado.

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