Um dos cursos de água que moradores acreditam que pode estar ameaçado pela ação da Aston Martin em Ribeirão do Eixo, na cidade de Itabirito, Minas Gerais. Foto: morador de Ribeirão do Eixo

De todos os possíveis impactos ambientais causados por mineradoras, o mais preocupante, aos olhos do povo, é o comprometimento das águas. A possibilidade de se ter fontes secadas ou cursos de água poluídos se tornou pesadelo na localidade de Ribeirão do Eixo, em Itabirito (MG).

Caso 1 – Mineradora Aston Martin

A empresa Aston Martin, em breve, vai se instalar em Ribeirão do Eixo. Segundo os moradores, isso se dará em área onde nasce parte das águas que abastecem não somente a comunidade, mas também o Rio Itabirito.

O povo da localidade está desesperado e não quer a mineradora atuando. Pelo menos, não exatamente na área proposta.

O receio dos moradores é ficar sem o volume e a quantidade atuais de água que servem a região.

“A gente pede ao prefeito (Alex Salvador) que ele nos ajude. Isso está nas mãos da Prefeitura. Ele mandou recado pra gente e pediu pra nós ficarmos tranquilos. Mas nós estamos com medo. Isso porque sabemos que mineradoras são complicadas”, disse um morador que preferiu não se identificar.

O apelo do morador também se estendeu ao atual presidente da Câmara, Rodrigo do Porco. “O fato de ele ter se tornado presidente, deu a nós mais conforto e um pouco mais de segurança quanto à questão dessa mineradora”, afirmou.

Contudo, a situação de Ribeirão do Eixo é um pouco mais complicada. Recentemente, a Aston Martin se reuniu com a população local em um encontro tempestuoso. Isso para falar das intenções da firma. Todavia, a população não quer saber de explicação. “Não queremos a empresa aqui”, disse o morador.

A informação que se tem é que a mineradora já está legalizada perante o Estado. A Prefeitura de Itabirito e a Câmara, a princípio, pouco podem fazer.

“Essa empresa já conseguiu as licenças ambientais. Tais licenças vêm do Estado e não do Município. O que mineradora precisa fazer é entrar em acordo com a comunidade. Já a Prefeitura pode atuar somente nos bastidores para tentar resolver o impasse”, disse o diretor Municipal de Meio Ambiente, Anderson Guimarães.

Caso 2 – Mineradora do Grupo Pedroso

A segunda reclamação vem de outro morador. Agora, o problema é em outra área de Ribeirão do Eixo. Nas proximidades do antigo Viaduto das Almas, uma mineradora, do Grupo Pedroso, que já atua na região, está deixando rejeitos escorrerem para os cursos de água que abastecem parte da comunidade.  

“A água está ficando imunda. Nossos animais tomam da água que foi comprometida por essa mineradora. Não quero prejudicar ninguém com a minha reclamação. O que quero é o bem da comunidade. Somente isso”, afirmou o morador que também pediu para não ser identificado.

“A drenagem da mineradora não está perfeita. Então, quando chove, escorre do pátio dela. O material não é retido de forma correta. A empresa já foi notificada pela Prefeitura. A notificação foi enviada pelos Correios. Não tenho informação se a firma já a recebeu”, disse o diretor de Meio Ambiente da Prefeitura.

Apesar da falha que prejudica a população, informações dão conta de que esta mineradora também está com as licenças estaduais em dia.

À espera de respostas

O Minuto Mais ligou para a o setor de Comunicação do Sistema Estadual de Meio Ambiente, que pertence ao Governo de Minas. Depois de expor o assunto a uma funcionária, o site espera para segunda-feira (8) respostas do seguinte e-mail, enviado nesta sexta-feira (5):

Prezada….

Conforme conversamos pelo telefone, a população de Ribeirão do Eixo, em Itabirito, está com receio de que a mineradora Aston Martin, que será instalada na localidade, comprometa o abastecimento de água da região. Mesmo porque a instalação se dará em áreas de nascentes. 

Segundo os moradores, o que a empresa quer é fazer uma barragem de rejeito no local, justamente na área onde as águas nascem. Tais águas também abastecem o Rio Itabirito.

De acordo com a população, o dono da empresa seria o proprietário do terreno a ser implantada a mineração, e o direito de lavra (ainda segundo o povo de Ribeirão do Eixo) seria da MSN e da Gerdau.

Mais um assunto. Este tem a ver com outra área de Ribeirão do Eixo. Trata-se de um problema causado por mineradora do Grupo Pedroso, que já está atuando nas proximidades do antigo Viaduto das Almas (em Ribeirão). 

De acordo com os moradores, a empresa está deixando vazar rejeitos nas águas que abastecem parte da comunidade.

Sendo assim, as águas ficaram imundas. A Prefeitura de Itabirito informou que a mineradora do Grupo Pedroso já foi notificada.

Com base nos dois casos, o Minuto Mais pergunta: 

1- As mineradoras estão corretamente licenciadas?

2- O que pode esperar o povo de Ribeirão do Eixo nos dois casos?

Contatos com as mineradoras

Com as mineradoras Aston Martin e do Grupo Pedroso, o Minuto Mais também tentou contato.

Ligou quatro vezes para o responsável da Aston. Em uma das ligações, ele pediu à reportagem que ligasse mais tarde, uma vez que ele estava ocupado. Contudo, depois, não mais atendeu ao telefone.

Então, mensagens foram deixadas no celular do empresário.

Já com o Grupo Pedroso, como não foi encontrado o número desse grupo na web, o Minuto mandou uma mensagem via site da empresa. Por enquanto, sem resposta.

A reportagem estará em busca de uma resposta para o povo de Ribeirão do Eixo. Ou melhor, estará em busca de várias respostas: do Estado e das duas empresas.

Outras matérias sobre o assunto serão feitas.

Matéria atualizada à 1h33 de 6/1/2018.