Palestrante, especiailista em segurança pública, com membros da GM Itabirito após a explanação. Foto: Minuto Mais

A convite da Guarda Civil Municipal (GM) de Itabirito, a doutoranda em segurança pública, Cláudia Brígido, ministrou a palestra “Violência e criminalidade na sociedade contemporânea: aspectos determinantes para a participação social”, nesta terça-feira (15), no auditório da Associação Comercial e Empresarial de Itabirito. Os GMs compareceram em massa.

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Por meio da explanação, os guardas receberam uma aula sobre o assunto. Foi ensinado, por exemplo, o que teóricos como Cesare Lombroso, Émile Durkheim, bem como a Escola de Chicago dizem a respeito da origem da criminalidade (veja abaixo).

Segundo ela, é de suma importância que a GM tenha um plano de cargos e salários. O subcomandante Aredes afirmou que primeiramente o Estatuto da Guarda Civil Municipal está sendo feito e, depois, com o apoio de todos os vereadores, o plano de cargos e salários será criado. “É preciso ter a participação efetiva de todos os membros da guarda”, disse ela.  

Em entrevista ao Minuto Mais, a especialista explanou a respeito de assuntos relacionados à segurança. A seguir algumas de suas considerações.

A especialista em segurança Cláudia Brígido. Foto: Minuto Mais

A favor ou contra a intervenção federal no Rio de Janeiro: “Nem a favor nem contra. Essa questão no futuro poderá ser melhor avaliada. Sabe-se o Exército não tem treinamento para fazer esse tipo de abordagem (relacionamento com o cidadão, combate ao tráfico etc). O papel do Exército é de guerra. Em meio à essa história, deve-se levar em conta que o Rio de Janeiro é um dos estados que mais matam policiais”.

Qual a solução para Itabirito que como muitas cidades de Minas passou a ter mais violência após o advento do crack? Com um  agravante, hoje o traficante de todo o país é também um viciado (o que não acontecia em outras épocas, e o que piora o grau de violência do tráfico).

“O problema da segurança não é somente policial, passa pela família e pela escola que deve ser de tempo integral, por exemplo. Se o policiamento em uma área de tráfico é intensificada. Esse tráfico migra para outra parte. Mas se outras políticas públicas são aplicadas, o problema pode ser minimizado de fato.

A certeza da impunidade é que gera o cenário de degradação. O menor infrator tem certeza absoluta que não acontecerá nada a ele se ele for pego pela polícia. O Estatuto da Criança e do Adolescente não é culpado. Na verdade, ele é muito moderno. A questão é que o Estado não tem estrutura para fazer cumprir esse estatuto que prevê punições ao menor infrator, mas antes disso prevê uma série de medidas de ressocialização.

GMs assistem à palestra. Foto: Minuto mais

O problema do tráfico, dizem alguns especialistas, passa pela discriminalização da maconha. Sobre este assunto específico, defendo a descriminalização da maconha para uso terapéutico.

No caso do crack, para aquele que rouba para usar a droga, não interessa se é iPhone 3 ou 8, o que interessa é que o cada aparelho roubado significará uma pedra de crack”. 

O que faz alguém ser criminoso?

O psiquiatra e antropólogo Lombroso afirmava que, por meio de características físicas, é possível identificar um criminoso.

Já o psicólogo e antropólogo Durkheim dizia que o ambiente e a sociedade criam os criminosos.

Por sua vez, a Escola de Chicago afirmava que os criminosos são consequências de vários fatores, como a teoria da rotulação: indivíduos que foram condenados por crimes são rotulados por uma sociedade que não dá a eles outras oportunidade. A escola também aborda fatores sociais para a formação de um marginal, bem como criação de conceitos que são vistos como verdades absolutas e que se dão no seio da própria marginalidade.