Uma das empresas que precisa acertar com funcionários. Foto: reprodução

Cerca de 60 trabalhadores que atuam em Itabirito estão se sentindo lesados pelas empresas WSA Caldeiraria e WNA Caldeiraria. As duas firmas estão legalmente instaladas em Itabirito (Região Central de Minas) e são empreiteiras da Vale. Ex-funcionários não receberam seus acertos. O problema dura há vários meses. Quando procuram pelo proprietário das duas firmas, Wellington Nascimento de Jesus (conhecido como Wellington Patachó – ou Pataxó), os trabalhadores não obtêm resposta.

Calcula-se que cerca de 30 trabalhadores já acionaram as empresas na Justiça do Trabalho. Outros devem fazer o mesmo nos próximos dias.

Uma das empresas que precisa acertar com funcionários. Foto: reprodução

As empreiteiras, segundo os trabalhadores, sempre pagaram com atraso. Contudo, o problema atual é o não pagamento dos acertos.

Na situação dos que passam por dificuldades, até detalhes do modo de vida do devedor é motivo de revolta. O empresário dirige um Jeep Renegade, que dificilmente é encontrado no mercado por menos de R$ 50 mil (quando é muito usado). Pode-se dizer, sem dúvida, que é um automóvel de luxo.

As empresas de Wellington estão também prestando serviço atualmente para a canadense Yamana Gold, na Bahia. A informação que se tem é que trabalhadores de lá também estão tendo dificuldades em suas relações trabalhistas.

Trabalhadores em dificuldade

João Jesus Berchon da Paixão (56) era encarregado na WNA Caldeiraria. A empresa deve a ele algo em torno de R$ 16 mil.

Weliton e Ilton, dois dos trabalhadores que lutam por seus direitos. Foto – Minuto Mais

Weliton Rodolfo Matos (31) era soldador na WSA. A empresa deve a ele algo em torno de R$ 5 mil. “Minha esposa está grávida. Terá bebê em breve. E minha moto sempre está na reserva. A luz de minha casa foi cortada, fiquei sem gás durante um tempo. O dinheiro que tenho direito me faz muita falta”, disse ele.

Ilton Felipe Dias (62) era mecânico nas duas empresas. As firmas têm de pagá-lo cerca de R$ 5 mil. “Moro de aluguel. E meu aluguel está atrasado. Sou pai de família e preciso receber o dinheiro”, lamentou Ilton.

“O itabiritense está com fama de trabalhar um tempo e depois levar a firma na Justiça. Quero informar que eu não sou de Itabirito, sou de Ouro Preto, Ilton é de Nova Lima e o João é do Rio Grande do Sul. Não quereremos ser injustos com a população desta cidade”, salientou Weliton.

As firmas funcionavam em um galpão alugado no bairro Nossa Senhora de Fátima. Informações extraoficiais dão conta de que o proprietário do imóvel fechou o local. Maquinários da WSA e WNA ficaram “presos”. Isso porque o aluguel não foi pago.

O Minuto Mais procurou a ex-responsável pelo RH das duas empresas, que disse: “Não posso responder porque estou na mesma situação. Eu deveria ter recebido no começo de agosto de 2018”, limitou-se a dizer, salientando que não queria ser identificada.

Outros lados

A reportagem ligou para o telefone do empresário cerca de 10 vezes. Todas as ligações “caíram” na caixa postal.

Portão trancado que dá acesso ao apartamento do empresário. Foto: Minuto Mais

Sendo assim, o Minuto foi ao apartamento do empresário no bairro Novo Itabirito. O interfone, apertado insistentemente, aparentemente estava estragado. A reportagem, então, gritou quatro vezes na porta do apartamento. No local, o Minuto obteve a informação de que o carro do empresário estaria na garagem, mas não se sabia se alguém estava na casa.

Depois, uma mensagem via WhatsApp foi enviada ao empresário. Ainda não há resposta.

Em contato com a Vale, um dos assessores de imprensa informou que a mineradora não fala em nome de suas empreiteiras. “Essas questões têm de ser respondidas pelas empresas citadas”, disse ele.

O Minuto não conseguiu contato com a Yamana Gold. No site da empresa, não foi encontrado nem sequer um telefone.