Pedro Ayres e Marcelo Rebelo - Fotos: arquivos pessoais

Perante a mídia itabiritense, poucos de Itabirito têm coragem e disposição para se manifestar a respeito de assuntos delicados. Afinal, em cidade pequenas, os “pudores” são exacerbados. A greve geral (do dia 28) em Itabirito (MG) foi alvo de comentários pelas redes sociais. Contudo, quando algum morador de Itabirito é convidado a dar a opinião, em um veículo de imprensa, normalmente a recusa é imediata. Entretanto, dois personagens atuantes na cidade se mostram sem medo de se exporem: o engenheiro e líder do PSOL, Pedro Ayres, e o jornalista Marcelo Rebelo (que escreve para a página de internet “Mova-se”).

O Minuto Mais perguntou se a greve geral feita em Itabirito, especificamente, realmente surtiu o efeito, na população, desejado pelos organizadores do movimento, ou seja, o ato em Itabirito mandou um real recado à população da cidade contra as reformas (da previdência e trabalhista) propostas pelo governo do presidente de Michel Temer (PMDB)?

Pedro acha que “sim”. Marcelo acredita que “não”. Leia a seguir:

Pedro Ayres

Para um dos líderes do PSOL, Pedro Fontes Ayres, que foi candidato a prefeito de Itabirito, faltou junção dos movimentos sociais na greve geral em Itabirito. Contudo, segundo ele, o resultado foi “muito produtivo”.

“Não foi uma baderna como divulgado pela imprensa de direita como, por exemplo, um artigo escrito pelo jornalista Marcelo Rebelo. Se fosse simplesmente uma bagunça, por que órgãos respeitados como a CNBB, OAB, Sindicato dos Engenheiros de Minas Gerais estariam dentro do movimento contra as reformas?”, questionou Pedro.

Para ele, a greve não teve mais adeptos pelas ruas do município itabiritense porque “o medo reina em Itabirito. Vestígios do coronelismo e receio de abandono por parte grupo de detém o poder no município são realidades na cidade”.

Pedro vê como muito pessimismo as reformas propostas pelo atual presidente da República.  “Trata-se de cenário de retirada de direitos conquistados arduamente. A reforma do Código Penal, por exemplo, teve um ano de debate. Como as reformas atuais podem ser feitas na surdina, em dois meses, de acordo com o interesse de somente grandes empresários? Não houve consulta popular e sindical para fomentar um debate sadio e democrático”, opina ele.

Para Pedro, trata-se de “reformas neoliberais para manter os privilégios da casta brasileira que se apropria do estado por meio do financiamento de campanhas”.

Ele cita as modificações nas leis trabalhistas, por exemplo, que foram propostas, segundo o governo federal, para flexibilizar as leis e criar mais empregos. Todavia, Pedro Ayres não pensa assim. “O trabalhador não terá o amparo das leis, o diálogo será entre funcionários, empresários e advogados das empresas”, acredita o líder do PSOL.

Além da fragilização do trabalhador perante seus patrões, para Pedro, as consequências das reformas de Temer serão o aumento da pobreza e, principalmente, o aumento do número de idosos desamparados.

Marcelo Rebelo

Na contraposição à opinião de Pedro Ayres está o jornalista Marcelo Rebelo, que ganhou notoriedade na cidade com seus artigos publicados em veículos itabiritenses. Atualmente, ele escreve para a página “Mova-se” pela qual ele é o responsável.

Para Marcelo, “a realidade é que a greve geral, convocada pela extrema esquerda contra as reformas trabalhista e previdenciária promovidas pelo governo Michel Temer, foi um fiasco em todo o país”.

Sobre o município itabiritense, Marcelo acredita que “a população se fez sábia e protestou, não contra as reformas, mas contra a greve geral, e fez isso da melhor maneira possível: trabalhando”.

“Nas capitais, para ele, “o que se viu foram grupos de milicianos da CUT usando de violência para impedir o direito de ir e vir de quem queria trabalhar. Chamar isso de sucesso é risível e patético”, afirma Marcelo.

“Comércios, bancos, escolas e repartições públicas funcionaram normalmente em todo o país, apesar do transtorno causado pelo fechamento de vias e bloqueio de estações de transportes, nos grandes centros urbanos. E diante de todo o fracasso e num ato de desespero, a extrema esquerda faz o que já era esperado. Ela se apodera do conceito publicitário da propaganda nazista de Joseph Goebbels (o ‘publicitário’ de Hitler) que diz: ‘uma mentira dita mil vezes torna-se uma verdade”, e passa a dizer que o movimento foi um sucesso”, acredita o jornalista.

Diante das incertezas, do “costume” dos governos brasileiros de gastar bilhões a mais do que é arrecadado e do risco de falência do país, Marcelo Rebelo se diz favorável às reformas para colocar o Brasil nos eixos. “Sou a favor, sobretudo, das reformas trabalhista e a previdenciária, mas, apesar disso, acredito que o assunto deva ser melhor discutido entre governo e população”, diz ele.

Para Marcelo, o movimento de greve geral em Itabirito, e no resto do país, foi uma “baderna”. “Não houve adesão da população. O que houve foi a tentativa de militantes sindicais de trazer o caos fechando vias e impedindo o direito de ir e vir. Além disso, em São Paulo e no Rio, o fim dos protestos virou uma quebradeira com a atuação dos black blocs”, afirma o jornalista.