Entrevista com Leo do Social, vereador pelo PHS de Itabirito.

Leandro Silva Marques (o Leo do Social), hoje no PHS, é um dos vereadores de oposição mais aguerridos da Câmara de Itabirito. Quando denuncia uma situação que considera irregular, procura não ficar somente no discurso de tribuna, vai além: denunciando-a ao Ministério Público, por exemplo.

Recentemente, ele foi protagonista, nas redes sociais, da história de dois filhotes de cachorro que foram abandonados por um covarde qualquer em Itabirito (a expressão “covarde” é da Redação do Minuto Mais). Uma pessoa chegou, a dizer: “moço, você esqueceu seus cachorros”. E o irresponsável teria respondido: “não os quero, pode ficar pra você”. Leo assumiu a responsabilidade de encontrar um tutor para esses animais. Os dois filhotes estão encaminhados.

Leo é psicólogo e tem personalidade forte. Ao mesmo tempo em que é extremamente simpático com lhe apraz, irrita-se com facilidade com situações que considera erro.

Nos bastidores da política, havia uma “quase certeza”: Leo não venceria novamente para vereador. As razões para isso eram meras especulações. Não deu outra: ele foi reeleito com 677 votos.

Leo do Social entra para o seu segundo mandato em 2017 e é o vereador entrevistado da vez pelo Minuto.

Minuto Mais – Principalmente seus adversários acreditavam que o senhor não seria reeleito. Em algum momento, você pensou que a vitória seria complicada?

Leo da Social – Sim. Reeleição não é fácil pra ninguém. Pra mim, não seria diferente. Eu concorri com parentes próximos e com grande número de candidatos em meu reduto eleitoral, que é o bairro Santo Antônio. Além da concorrência direta, pesaram sobre mim alguns erros que cometi de estar focado muito no atendimento em meu gabinete e consequentemente de estar menos nas ruas. Mas fico muito feliz pelo reconhecimento ao meu trabalho e pelos quase 700 votos que tive. Neste mandato, vou procurar estar mais presente, no dia a dia das pessoas, em suas realidades.

Por que o senhor saiu do PT?

As pessoas têm de estar sempre em evolução. Por alguns motivos, eu não estava mais conseguindo fazer uma troca de contribuições políticas entre o partido e meu mandato.

Alguma rusga com o PT de Itabirito?

Nenhuma. Da minha parte, somente gratidão.

Leo do Social. Foto: Romeu Arcanjo/Minuto Mais
Leo do Social. Foto: Romeu Arcanjo/Minuto Mais

O desgaste do PT nacional foi motivo para a sua saída do Partido dos Trabalhadores?

O cenário tomou uma proporção que a partir de um momento tudo se tornou mais difícil. Falo de parceria com o partido, de busca por emendas parlamentares. O governo petista mineiro não era tão próximo como eu gostaria que fosse. Em meu atual partido (o PHS) sinto o quanto estava comprometida a minha parceria com o governo estadual. Isso porque no PHS, as parcerias têm dado certo. Tenho de estar em um partido que traga o máximo de benfeitorias possíveis para o município de Itabirito.

Que tipo de vereador o senhor é?

Tento exercer na integra a função, procuro agradar a muitas pessoas e, ao mesmo tempo, intermedeio processos burocráticos. Mas sou focado mesmo em denunciar o que realmente está errado.

Em que pé está aquela história de diferença de gastos (feitos pela Prefeitura) de um Julifest para outro. Situação denunciada pelo senhor?

O processo está no Ministério Público. Fui convocado pelo promotor Umberto e expus a situação absurda que nós, agora, já conhecemos.

O senhor tem noção de que é uma pedra no sapato da atual gestão da Prefeitura? Como você vê essa história?

Eu sonho um dia em ser prefeito. Já fui funcionário público e busco entender erros e acertos. Faz parte do meu projeto futuro fazer melhor do que a atual gestão está fazendo.

O senhor é um porta-voz da causa animal em Itabirito. Qual sua opinião a esse respeito no que se refere às ações na cidade?

Não está como esperado. A Prefeitura assinou um TAC (Termos de Ajustamento de Conduta) com o objetivo de proporcionar melhorias no canil e nas condições para administrar melhor os animais abandonados. Faz parte do meu papel fiscalizar o cumprimento dessa TAC que inclui castração, recolhimento de animais, abrigo etc – tudo isso é hoje responsabilidade da Prefeitura. Vou fazer a fiscalização do início ao fim desse trabalho.

A ONG Vidanimal, como toda entidade parceria da Prefeitura, muitas vezes não expõe na mídia situações que podem comprometer essa parceria. Isso acontece hoje e acontecia também no governo Manoel da Mota. Antes de opinar sobre a “situação” animal, o senhor passa pelo crivo da ONG?

Não. A minha opinião é particular. Eu não tenho esse tipo de vínculo com a ONG. Contudo, quero deixar claro que a Vidanimal é formada por voluntários com 100% por amor à causa. Temos de valorizar essa instituição.

O senhor é homossexual assumido, mas não é próximo ao movimento gay da cidade (da ONG Ita LGBT para ser mais exato). Por quê?

Tenho muito orgulho de ser assumido, para que as pessoas saibam quem realmente sou. Vou sempre lutar para garantir os direitos dos menos favorecidos. Tento sempre atuar da melhor forma e mostrar que o potencial está na postura e no trabalho e não na orientação sexual do indivíduo. Está dentro dos meus planos, para meu segundo mandato, estreitar os laços com a ONG Ita LGBT, tendo em vista a possível mudança na presidência dessa entidade.   

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