Imagem de internet.

Sabe-se que qualquer empresa privada tem liberdade para contratar seus funcionários da maneira que julgar mais conveniente. Contudo, principalmente em tempos de crise, quando uma empresa que atua em uma cidade se recusa a contratar funcionários moradores dessa localidade, cria-se certa “comoção”. Por que uma empresa faria isso?

Segundo informações obtidas pelo Minuto Mais, a firma em questão é a Fagundes Construção e Mineração, empreiteira da Gerdau.  A Fagundes atua na área de mineração. O endereço exato da empresa é BR-040, km 579, sem número, Mina Várzea do Lopes, Itabirito (na Região Central de Minas).

Informações extraoficiais dão conta de que se trata de uma firma modelo nos quesitos organização e qualidade dos equipamentos. Todavia, quando o assunto é contratação de trabalhadores de Itabirito, terra em que ela está instalada, a Fagundes aparentemente reluta.

Segundo a apuração da reportagem, nos últimos dois anos, cerca de 40 itabiritenses foram demitidos da empresa. Neste sábado (10), 38 novos funcionários começaram a trabalhar na Fagundes. Nenhum de Itabirito.

O que desencadeou tal reação da Fagundes teria sido o fato de dois funcionários de Itabirito terem levado a firma na Justiça do Trabalho. Sabe-se que pelo menos um venceu. Tais situações, talvez, sejam a “ponta do iceberg”.

Outro lado

O Minuto ligou para três números de telefones que seriam da Fagundes. A gravação da telefônica dizia que tais números não existem.

Depois, ligou para um telefone de outro estado que também constava na internet como sendo da empresa. Ninguém atendeu.

Na sequência, a reportagem mandou quatro mensagens para a Fagundes. Nas mensagens, toda a situação era explicada. Entretanto, ainda não se tem retorno.

Mais tarde, a Redação ligou para a comunicação da Gerdau, em São Paulo, e a jornalista da empresa pediu para que o repórter do Minuto formalizasse o pedido por e-mail. Isso foi feito.

Prontamente, depois de 20 minutos, a comunicação da Gerdau fez contato com a reportagem e informou que não estava conseguindo falar com a Fagundes. A Gerdau disse também que continuará tentando. E que um retorno será dado assim que conseguir.

Fama ruim

A situação em Itabirito é um pouco mais delicada do que muitos pensam.

Trabalhadores de Itabirito não tem boa fama no mercado. Sabe-se de caso (em outra empresa) em que uma mulher, que estava tentando emprego em uma firma, durante a entrevista de admissão, só de falar que era de Itabirito, o rumo da conversa teria mudado. “Ela tinha o perfil que a empresa queria, mas segundo ela a informação sobre a sua origem teria mudado para pior o tratamento da empresa com ela”, disse o secretário de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Itabirito, Antônio Avelar. Resultado: ela não foi chamada.

O secretário não conhece o caso específico da Fagundes Construção e Mineração. Disse que vai se inteirar e que vai pedir para que a equipe do Sine procure a firma e ofereça a ela a mão de obra local. “Empreiteiras da Vale e Gerdau, por exemplo, se instalam em Itabirito e como não recebem incentivos da Prefeitura, a gente não tem muitas informações sobre elas”, disse o secretário.

Quando o assunto é como o trabalhador de Itabirito é visto pelas firmas, o secretário disse: “Muitas vezes, o itabiritense pega a fama de trabalhar durante certo tempo e, depois, sai do trabalho pedindo seguro desemprego, e outras vezes até aciona a Justiça”.

Outra situação é o excesso de atestados médicos, acima de média, apresentados pelo itabiritense nas firmas.

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Itabirito, através do Sine, afirma que trabalha na qualificação profissional do itabiritense, por meio de cursos, e ao mesmo tempo na condição psicológica desse profissional. Inclusive, uma psicóloga está atuando no Sine com o objetivo de fazer com que o itabiritense, de um modo geral, reavalie sua conduta perante empresas.

Câmara

Por unanimidade, os vereadores de Itabirito aprovaram uma lei, de autoria do vereador Max Fortes (PSB), que trata diretamente do assunto “emprego”.

Por meio dessa lei, chamada de Empresa Ativa, firmas que estão instaladas em Itabirito, e que recebem auxílio da Prefeitura para essa instalação, têm de contratar 80% dos empregados oriundos da cidade. “Não temos como obrigar a contratação de itabiritenses, mas essa lei nos dá uma força a mais para diminuirmos o desemprego na cidade”, disse o secretário.

Entretanto, empreiteiras não recebem benefícios da Prefeitura. E, portanto, não estão inseridas na Lei Empresa Ativa. É o caso da Fagundes.

Nota da Redação: o assunto não acaba por aqui, o Minuto aguarda retorno da Gerdau e da Fagundes. E só para deixar claro: não se quer dizer por meio deste texto que o povo de Itabirito seja ruim de serviço. Todavia, a atitude de uma minoria, acaba prejudicando toda uma população.

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