Theylon - braço quebrado. A cadela está bem e é aparentemente mansa. Foto: Minuto Mais

Theylon Roberto CesA?rio (25) afirma que foi vA�tima de uma aA�A?o truculenta da Guarda Civil Municipal (GM) de Itabirito, que teria quebrado o braA�o dele na altura do bA�ceps durante uma abordagem policial.

A famA�lia de Theylon apresentou uma radiografia mostrando a fratura que, segundo ela, foi provocada por uma chave de braA�o aplicada por dois guardas. Ao todo, trA?s participaram da ocorrA?ncia.

A aA�A?o da GM aconteceu A�s 9h40 de quarta-feira (19 de julho), no bairro Tombadouro, no adro na Igreja do RosA?rio, em Itabirito (MG).

Neste momento, Theylon, sobrinho do sindicalista Roberto CesA?rio, estA? em casa, com escoriaA�A�es, braA�o engessado e tendo de tomar medicamentos para aliviar as dores pelo corpo.

Ele disse que estA? hA? trA?s meses sem trabalhar e que faria exameA�admissional na mesma quarta-feira do incidente, para trabalhar na empresa a�?Torres ConstruA�A�esa�?, como servente de pedreiro. Contudo, foi dispensado uma vez que nA?o teria condiA�A�es fA�sicas para assumir a vaga depois da fratura.

VersA?o 1 a�� De Theylon

Theylon estava com sua pitbull, de nome Dara, sem coleira e sem focinheira, dentro do adro da Igreja do RosA?rio.

O portA?o do adro fica sempre fechado, o muro A� baixo, e pessoas, principalmente jovens, tA?m costume de frequentar a A?rea, pulando o muro. Theylon, por exemplo, frequenta o local hA? (pelo menos) 25 anos.

Theylon e Dara. Foto: Minuto Mais

No dia, Theylon estava sozinho com Dara. Os guardas chegaram e comeA�aram a abordagem.

No momento em que Theylon prendeu a cadela com a coleira, os guardas aplicaram nele um tipo de estrangulamento (segundo Theylon, um a�?mata leA?oa�?) somado a uma chave de braA�o.

a�?VocA?s vA?o quebrar meu braA�o!a�?, teria gritado Theylon, vA?rias vezes. De repente, ouve-se um estalo: era o osso de Theylon sendo quebrado. O GMs, entA?o, o soltaram.

A cadela nA?o teve reaA�A?o por ser muito mansa.

Ele foi levado A� Unidade de Pronto Atendimento (UPA) junto com a cadela. Na viatura, Theylon ficou no banco de trA?s, algemado, e a cadela no a�?chiqueirinhoa�?.

Na UPA, o animal foi amarrado em um espaA�o com A?gua para beber.

NA?o foram encontradas substA?ncias ilA�citas com Theylon e, segundo o prA?prio, ele nA?o tem passagem pela polA�cia. Um familiar buscou o cA?o.

A famA�lia de Theylon afirma que vai levar o caso ao MinistA�rio PA?blico.

VersA?o 2 a�� da ocorrA?ncia

Segundo a ocorrA?ncia da GM, todo o tempo da abordagem, Theylon se mostrou a�?reativoa�?.

Depois que colocou a coleira na cadela, foi perguntado, pelos GMs, o nome dele. Theylon disse que nA?o ia respondA?-los, dando as costas aos guardas.

Foi, entA?o, dada voz de prisA?o a Theylon que, depois disso, de acordo com a ocorrA?ncia, teria ordenado que a cadela Dara atacasse os GMs.

Na sequA?ncia, a�?em momento oportuno, fizemos a captura da cadelaa�?, diz o documento que tambA�m afirma que lesA�es foram provocadas no braA�o de Theylon uma vez que ele resistiu A� voz de prisA?o.

O cA?o foi devolvido A� famA�lia com a supervisA?o de um agente de Controle de Zoonoses da Prefeitura de Itabirito.

A ocorrA?ncia informa que Theylon reagiu porque ficou com “medo de que a cadela fosse levada”, o documento garante que o abordado teria afirmado isso.

Comando da Guarda

O Minuto Mais conversou com o comandante Oliveira, da Guarda Civil Municipal de Itabirito.

Oliveira nA?o participou da ocorrA?ncia, mas informou que a princA�pio nA?o viu nada incorreto na conduta dos GMs.

Contudo, a�?quem deveria falar sobre o assunto sA?o os guardas envolvidosa�?, disse ele.

Ele ainda garantiu que o homem foi abordado, a princA�pio, nA?o por estar com a cachorra, mas sim porque o local A� ponto usado por usuA?rio de drogas, e por isso A� alvo de diversas reclamaA�A�es por parte dos moradores da localidade.

O Minuto tentou contato com o inspetor que atuou no caso, mas sem sucesso.

SituaA�A�es a serem levadas em conta

Apesar de ser um costume, nA?o se deve entrar sem autorizaA�A?o nos limites do muro da Igreja do RosA?rio, quando o portA?o estiver fechado.

Por sua vez, o artigo 7A? da lei estadual nA?mero 4.546/2013 diz: a�?Na conduA�A?o em via pA?blica e no transporte de cA?o das raA�as (como pit bull, dobermann, rottweiler e outros de porte fA�sico e caracterA�sticas semelhantes) A� obrigatA?ria a utilizaA�A?o de equipamentos de contenA�A?o animal, incluindo focinheira, que permitam a normal respiraA�A?o e transpiraA�A?o do animal”. Esse erro Theylon admite que cometeu, o cA?o estava solto em local aberto e a�?pA?blicoa�?, e a A?rea A� muito frequentada por crianA�as.

O fato de a cachorra nA?o estar contida adequadamente fere tambA�m o CA?digo de Posturas do MunicA�pio de Itabirito.

Entretanto, segundo relato da famA�lia, Theylon nA?o estava promovendo vandalismo (a igreja A� quase vizinha da casa dele) ou ameaA�ando com a cadela quem quer que seja de maneira direta e intencional.

E ainda, de acordo com familiares, o abordado A� morador do bairro e frequentador do local desde que nasceu, ou seja, nA?o era nenhum estranho.

O caso serA? decidido pela JustiA�a.