Escritório da Tuca Filmes hoje. Foto: divulgação

A pequena Itabirito, em Minas Gerais, é a cidade sede da produtora Tuca Filmes que está completando 5 anos em 2017. A empresa já filmou mais de 80 casamentos e conseguiu recentemente dois selos de qualidade na área: o Zankyou, de relevância estadual, e o Inspiration Photographer Member, de importância nacional. Para falar um pouco sobre a história da Tuca, Marcos Hallais, um dos responsáveis pela empresa, é o entrevistado da vez pelo Minuto Mais.

Minuto – Você costuma dizer que os clientes se sentem em casa no escritório da Tuca. Isso não seria conversa de dono de empresa só para vender seus produtos? 

Marcos: (Risos) Seria, se não fosse verdade. O fato de o escritório ser lá em casa ajuda muito. Rua sem saída, cachorro solto, rede, horta etc. Lá conseguimos acolher melhor as pessoas e quando abro minha vida para o cliente, ele naturalmente abre a dele para mim.

Já disse “não” para algum trabalho em vídeo que seria devidamente pago?

Sim. Uma vez, uma pessoa nos procurou querendo que fizéssemos um filme pornô. E não era trote, acredita? Eu recusei, é claro! Gosto de filmar o amor das pessoas, mas pornografia é bem diferente. Podemos dizer que eu não tive tesão em filmar um pornô (risos). E outra: já pensou se isso vaza e vira manchete no Minuto Mais? Eu ia à falência!

Quando a gente pensa em celebração de casamentos, logo vem à mente uma festa quase que inviável financeiramente para a maioria dos brasileiros. É possível uma pessoa simples contratar serviços de filmagem?

Nossos concorrentes da região tentam embutir nos casais a ideia de que a Tuca cobra caro. Acho que é porque eles não conseguem criticar a qualidade do nosso trabalho. Penso que uma coisa é um casal não ter condição de pagar, outra é falar que é caro. Eu já teria trocado meu carro velho e teria “providenciado” um filho há muito tempo se estivéssemos praticando preços abusivos.

Casamento em Búzios filmado pela Tuca. Foto: divulgação

Vocês já fizeram experiências em vídeos que chamaram a atenção da cidade, desde Harlem Shake, o desafio do manequim, vídeos baseados no fim de ano da Rede Globo etc. Esse tipo de vídeo, apesar de atestar a qualidade de som e imagem da Tuca, coloca em xeque a criatividade da empresa. Concorda?

Pergunta capciosa a sua! Carlos Drummond de Andrade era jornalista, cronista e poeta, mas não posso dizer que um determinado jornalista é um péssimo escritor só porque ele não faz poesia. Eu não me vejo criando roteiros com diálogos, dirigindo e produzindo um curta-metragem, por exemplo. Eu gosto mesmo é de trabalhar com paródias e documentários. O que me desafia na paródia é a ideia de fazer comédia a partir de uma releitura de algo que já existe, por meio de uma variação sutil de elementos que compõem a obra original. O que me desafia nos documentários, como os casamentos, por exemplo, é a ideia de filmar a verdade de um momento, sem ter o controle da situação e a possibilidade de tocar o coração das pessoas. Eu afeto as pessoas com o vídeo ao mesmo tempo em que sou afetado pela história de vida delas. Às vezes, choro quando estou editando! Essa preferência pelo documentário talvez seja reflexo de minha formação na área de humanas.

A Tuca foi uma das primeiras empresas do Brasil a lançar o serviço de filmagens de parto. Foto: divulgação

A Tuca já filmou em Búzios, Trancoso e Arraial do Cabo. Fez vídeos institucionais para a Coca-Cola, por exemplo. Emplacou vídeo que teve mais de 100 mil visualizações e já vendeu imagens de Itabirito para o Caldeirão do Huck. Inclusive, já gravou um vídeo no qual participou o roqueiro Arnaldo Brandão, do Hanói-Hanói.

Ultimamente, a Tuca quase não tem feito paródias e vídeos virais. Qual o motivo?

Hoje estou muito mais maduro, vivendo a iminência de ser pai e pensando nas grandes questões da vida, e isso reflete em meu trabalho. A verdade é que nós tivemos que reduzir drasticamente a produção de vídeos virais porque eles não estavam sendo rentáveis.

Você fala da vontade de ser pai. É por isso que agora vocês estão filmando partos?

Sim! E não apenas os partos, mas também toda a história da chegada do bebê. Uma edição envolvente que vai da gestação até o aniversário de um ano.

E por falar em família, como foi fazer o documentário da família Farid?

Esse foi um trabalho autoral que acabou de ficar pronto e me deixou muito orgulhoso. Foram quase dois anos de intensa produção. A família adorou, mas infelizmente, por uma questão de privacidade, eles optaram por arquivá-lo.

Foodbike de pipoca gourmet. Aposta da empresa em outro nicho de mercado. Foto: divulgação

Além de vídeos, agora a Tuca Filmes também faz pipoca gourmet. Que história é essa?

Pois é, ano passado enxergamos a oportunidade, e decidimos investir no novo nicho de mercado. No modo de preparo, são produtos completamente diferentes, mas pipoca tem tudo a ver com vídeo. O Leo Lara, meu cunhado, é um estudante de gastronomia muito dedicado. Ele adora um bom desafio e resolveu encabeçar o projeto conosco. Então, reformamos uma velha bicicleta que estava enferrujando na garagem e a adaptamos para uma foodbike. Hoje posso dizer que essa foi uma aposta que deu certo, a procura tem sido grande.