100 funcionários demitidos em Itabirito reclamam de descaso do sindicato

“Na contratação, somos tratados como pessoas; na demissão, como animais”, disse uma das demitidas. Quando foram fazer a rescisão do contrato, por meio do Sindi-Asseio, ficam três horas em uma fila, sem água, sem banheiro, em pé e em meio à poeira do espaço aberto

Novas desempregadas: revoltadas com o Sindi-Asseio - Foto: Adalberto Oliveira/Minuto Mais

Mais uma empresa que presta serviço para a Vale, em Itabirito, fechou vários postos de trabalho. Desta vez, foi a Brasanitas, especializada em limpeza, que rescindiu hoje (dia 15) cerca de 100 contratos. O responsável pelas rescisões foi o Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio, Conservação e Limpeza Urbana da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Sindi-Asseio), alvo de várias reclamações.

No momento do rompimento (na assinatura da papelada), na entrada da mineradora, em um local conhecido como baldeio, os trabalhadores (a maioria mulheres) reclamavam do descaso do Sindi-Asseio. Os trabalhadores ficaram na fila por mais de três horas sem banheiro nem água e nem sequer cadeiras para se sentar, expostos à tradicional poeira da mineradora, somente debaixo de uma tenda que os protegia do sol. Como se não bastasse, segundo os trabalhadores, os sindicalistas do Sindi-Asseio atrasaram mais de 1h para chegar ao local. Ninguém do sindicato nem da Brasanitas quis falar, com o Minuto Mais, na hora do atendimento aos novos desempregados. Os ânimos ficaram exaltados quando um funcionário da empresa, aparentemente por causa da presença da reportagem, quis continuar os trabalhos de rescisão em outro dia.

Funcionarios de terceirizada da Vale reclamam de descaso do sindicato - Foto Minuto Mais (1)
Representantes do sindicato e da Brasanitas – Foto: Adalberto Oliveira/Minuto Mais

Uma funcionária da Brasanitas, que não quis se identificar, limitou-se a dizer que o sindicato achou conveniente fazer a rescisão naquele local. “Quando a gente foi contrata, tinha cadeira, cafezinho, água gelada e era em uma sala adequada. Fomos tratados como pessoas. Agora, na rescisão do contrato, que não servimos mais para eles, somos tratados como animais”, disse Luzia de Marilac Castro Oliveira, uma das mulheres que estavam na fila de espera.

Até o agendamento da rescisão foi feito ao deus-dará. Muitos trabalhadores exibiram um documento que informava que o rompimento do contrato seria feito dia 6 ou 8 de setembro. Contudo, a decisão de rescindir no dia 15 foi repassada aos trabalhadores por meio de mensagem. “Muitos ficaram sabendo da mudança porque ‘ouviu falar’”, disse Lilian Patrícia, da cidade de Raposos.

Somado a isso, os demitidos que vivem em Raposos, por exemplo, tiveram de desembolsar R$ 300 (ao todo) para assinar a rescisão em Itabirito. Isso porque não foi disponibilizado um carro para buscá-los, conforme todos esperavam.  Os desempregados são basicamente de Itabirito, Nova Lima e Raposos.

O outro lado da notícia

O Minuto Mais ligou para Sindi-Asseio (que funciona no Eldorado, em Contagem) e conversou com uma secretária da coordenadora do sindicato, Sirlene Maria Gomes. A coordenadora não atendeu ao telefone, mas informou por meio de sua funcionária que “nas próximas rescisões serão corrigidos os erros”.

Funcionarios de terceirizada da Vale reclamam de descaso do sindicato - Foto Minuto Mais (3)
Fila para rescisão contratual, hoje pela manhã, na área da Vale- Foto: Adalberto Oliveira/Minuto Mais