Manoel da Mota, ex-prefeito de Itabirito. Na versão da antiga equipe da Prefeitura, o dinheiro foi usado para que uma empresa já instalada saísse da área onde funcionaria a fábrica da Coca-Cola. Foto: Agnaldo Montesso e imagem de internet

EXCLUSIVO: A Justiça investiga denúncia de suposto superfaturamento na aquisição de parte do terreno onde hoje funciona a fábrica da Coca-Cola, em Itabirito, Minas Gerais. A ação foi proposta pelo Ministério Público (MP) com base em denúncia feita por vereadores em 2011. Inclusive, o assunto foi alvo de uma CPI na época.

O terreno foi adquirido pela Prefeitura da cidade naquele ano por R$ 6 milhões. Na avaliação feita pelo MP, o espaço valeria, no máximo, R$ 1 milhão.

Foram citados como réus Manoel da Mota Neto (prefeito da época), João Guilherme Braga Carvalho (ex-secretário de Fazenda), Humberto Braz Rodrigues (ex-diretor de Desenvolvimento Econômico), Geraldo Magno de Almeida (ex-secretário de Desenvolvimento Econômico), Rildo Xavier de Morais (ex-secretário de Obras e atual vereador pelo PT), Aloísio Aparício Alves (ex-secretário de Urbanismo e ex-membro da comissão de avaliação imobiliária da Prefeitura), João Paulo Costa Coelho (credenciado na época como membro da comissão de avaliação imobiliária da Prefeitura), Fernando Carazza, Maria Emília Antunes de Rezende e Antônio Antunes de Rezende.

O Minuto não conseguiu saber qual a função desempenhavam os três últimos da lista.

A Justiça investiga a culpabilidade de cada um dos já considerados réus e de que forma eles estiveram envolvidos na compra considerada suspeita pelo MP. 

Os envolvidos serão citados nos próximos dias e serão intimados a apresentar a defesa.      

Outro lado

O Minuto Mais conseguiu falar com dois dos citados: Geraldo Magno e Humberto Braz. Secretário e diretor de Desenvolvimento em 2011.

Segundo os dois, os R$ 5,5 milhões não foram gastos na compra de um terreno sem benfeitorias (este valor é com base na versão do governo da época. Acredita-se que o montante tenha sido corrigido pela Justiça para se chegar aos R$ 6 milhões).

Para que a Coca-Cola fosse instalada, de acordo com eles, a Prefeitura teve de arcar com a desativação da Biocarbo (firma processadora de alcatrão vegetal), uma empresa que estava instalada na área.

“A Biocarbo gerava emprego, estava completamente montada em parte da área onde funciona hoje a Coca-Cola. Para que a Biocarbo saísse do local, a Prefeitura teve de arcar com todos os custos, como a desativação dos galpões. A Biocarbo estava em um local de logística vantajosa para ela e a princípio não tinha interesse em deixar a área. Por outro lado, para que a Coca-Cola se instalasse em Itabirito, a processadora de alcatrão não poderia nem sequer estar instalada nas proximidades, uma vez que a atividade com alcatrão não era compatível com o ramo alimentício da multinacional”, disse o ex-diretor de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Itabirito, Humberto Braz.

Ainda segundo o ex-diretor, a desativação da Biocarbo foi essencial para que a Coca-Cola viesse para Itabirito. “Foi uma condição imposta pela multinacional”, afirmou ele.

Ainda de acordo Humberto, a desativação da Biocarbo foi somente parte do valor da área total de 51 hectares onde hoje está instalada a Coca-Cola. “Todo o terreno custou algo em torno de R$ 12, 5 milhões”, disse ele.

As palavras do ex-diretor foram corroboradas pela versão do ex-secretário. “A intenção do ex-prefeito Manoel da Mota foi a melhor possível. Queríamos a Coca-Cola para Itabirito”, disse Geraldo Magno. “Inclusive, já demos todo o esclarecimento para a CPI da Câmara em 2011”, completou o ex-secretário.