As conclusões do Ministério Público Eleitoral de que houve doações ilegais, feitas por empresas, para a campanha do prefeito Alex Salvador (PSD), um dos escândalos políticos recentes de Itabirito (MG), não ecoaram, de um modo geral, na imprensa itabiritense.

O motivo é simples: com raríssimas exceções, existe uma relação, para além do aceitável, entre o poder e os veículos de comunicação locais. E isso não é de hoje: faz parte da história da “Cidade Encanto”.

Entende-se por “aceitável”, a compra de espaços para fins publicitários nesses veículos. “Não aceitável” é a interferência do poder público e empresas na linha editorial dos meios de comunicação.

Tendo como base o slogan da Rádio Itatiaia (de BH): “nós vendemos espaço, não vendemos opinião”, percebe-se, em Itabirito, que os espaços publicitários e as opiniões se confundem.

Não estou querendo neste artigo dizer que o Minuto Mais esteja imune a essa triste realidade (longe, muito longe disso).

Contudo, é um exercício diário a luta para saber o que é mais importante: de um lado, a credibilidade, a verdade e a função de informar o povo. Do outro lado, alguns trocados, por parte de Prefeitura ou de empresas, para que os meios de comunicação se calem.

Não pense você, internauta, que as empresas e a Prefeitura aliciam os veículos por meio de quantias volumosas de dinheiro. Que viagem! Qualquer R$ 500 mensais (daí para muito menos) é capaz de calar muitos.

Ou tão ruim quanto calar, é deixar que uma só versão transpareça: a que interessa ao poder.

Em outras situações, somente o fato de não estar desagradando o prefeito é mais que suficiente para que a informação “constrangedora” não seja repercutida (…). Pasme! Na maioria das vezes, não é necessário dinheiro. Simplesmente, a “velha” manutenção da “política da boa vizinhança”, entre Prefeitura e veículos de comunicação, é mais que suficiente para não sejam noticiados os “fatos desagradáveis”.

A luta pela liberdade de imprensa deve ser incessante. Isso vale para todos os veículos (inclusive, para o Minuto Mais). “Só por hoje”, como se diz nos encontros dos Alcoólatras ou Narcóticos Anônimos.