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ARTIGO DE OPINIÃO – Remuneração BEM MENOR que a dos colegas da capital e condições de trabalho precárias (falta de tudo que o internauta possa imaginar) são duas das dificuldades pelos quais passam um jornalista do interior de Minas Gerais. Mas esses não são os maiores empecilhos para uma boa produção diária.

Se veículo noticia as mazelas do poder público (afinal, povo tem o direito de saber), o jornalista e o noticiário são taxados (pelos aliados dos acusados e pelos próprios acusados) de oposicionistas, mentirosos, fofoqueiros e blá, blá, blá.

Por outro lado, por uma estratégia de comunicação duvidosa e em represália à linha editorial do site, a Prefeitura de Itabirito não “abastece” o Minuto Mais com as boas realizações do município.

A impressão para os nossos milhares de leitores é que essas “boas ações” não existem. Resultado: 90% das informações de Itabirito no Minuto são de tragédias. E isso é ruim para a imagem de qualquer cidade.

Quando as realizações positivas da Prefeitura são divulgadas somente por outros sites ou somente pela Rádio Cidade, parte da população é atingida. Outra parte, não. Seria, mais ou menos, como discriminar uma parcela do povo.

Assuntos policiais

O internauta do interior tem uma relação muito próxima do veículo local de imprensa. E isso, em parte, é ótimo. Contudo, algumas vezes, o cidadão que está em “maus lençóis” é “amigo”, vizinho ou conhecido do repórter. E aí tem de se colocar na balança: notícia ou “amizade”?

Sendo assim, 99% das vezes, a notícia vence. Todavia, adaptações para não “pegar muito pesado” na acusação não são dispensadas na redação do conteúdo específico (essa é a verdade). Tal preocupação, por exemplo, dificilmente atormenta um repórter da TV Globo Minas. Ou se faz isso ou a vida do repórter vira uma desgraça. Até a mãe do jornalista intromete no assunto.

Outra situação: o Minuto só coloca foto de bandido contumaz, do tipo com longa ficha policial. Furtador “de primeira ou segunda viagem” não tem a imagem pessoal divulgada.

De um lado, há centenas de internautas que exigem tais fotos. Do outro lado, a família do acusado “descobre” o telefone do repórter, e literalmente liga, chorando ou ameaçando, pedindo para retirar a foto do ar. Isso já aconteceu “1 milhão” de vezes. “Você vai matar minha mãe!”, costuma dizer o pedinte (quando ele é irmão do acusado) ao jornalista.

Se fosse um repórter do jornal Estado de Minas, o internauta nem sequer conseguiria falar com ele pelo telefone.

Casa de Repouso

Instituições de renome, como o asilo de Itabirito, não podem estar no “noticiário policial”. Caso contrário, há um exército de seguidores para colocar em xeque a credibilidade do veículo ou do repórter.

A impressão que dá é que “fatos ruins” só podem ser veiculados contra algumas instituições. Outras, mesmo utilizando recursos públicos, são “blindadas”. Com isso, o direito à informação do cidadão fica comprometido.

“Assumindo” o crime

Quando um veículo do interior noticia algum crime, seja do “colarinho branco ou não”, muitas vezes, os acusados passam a ser anjos e o repórter passa a ser o culpado de todos os erros do planeta – algo como a reencarnação de Satanás.

Vantagens

Não se pode furtar das poucas vantagens em ser repórter de Itabirito especificamente. A facilidade em obter respostas de autoridades do tipo: a maioria dos secretários da Prefeitura, policiais militares, guardas civis municipais e bombeiros (militares de Ouro Preto, e municipais de Itabirito). Todas essas autoridades tratam o Minuto com o mesmo respeito que têm pela “grande imprensa”.

Para não ser injusto, vale lembrar de três empresas em Itabirito que dão show quando o assunto é “resposta à imprensa”: Coca-Cola, Vale e Gerdau.

Para finalizar e quebrar o clima, uma vantagenzinha. Muitas vezes, consigo trocar um cheque em bancos sem precisar apresentar a carteira de identidade (risos). Mas isto não tem nada a ver com jornalismo, e sim com o fato de eu “ser conhecido na cidade”.

Um abraço e até a próxima.