O descontrole de Renata é visível. Fotos: reproduções. Montagem: Portal do Holanda

ARTIGO DE OPINIÃO*: Quero deixar claro que considero o jornalismo da Rede Globo o melhor televisivo do país. Por isso mesmo, minha decepção com a postura da jornalista Renata Vasconcellos na condução da entrevista desta terça-feira (28) com o candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL).

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Ela, aparentemente, tem muita coisa contra Bolsonaro (que por mais intelectualmente medíocre que ele seja, é sim um candidato legítimo). Em meio às questões, Renata se transformou. Aparentemente irritadíssima, ela chegou a esbravejar que o salário dela não diz respeito a ninguém, que ela trabalha em uma empresa privada (Rede Globo) e que jamais aceitaria ganhar menos que alguém que ocupe o mesmo cargo que ela.

Ótimo, excelente, maravilhoso se a entrevistada fosse ela. Toda faculdade de jornalismo ensina: por pior que seja o entrevistado, ele não é seu inimigo. O entrevistado é o protagonista de uma entrevista, e não o entrevistador. A vida da Renata, no momento, não interessava. Por mais que Bolsonaro a tenha provocado, não cabia a ela “descer do salto”.

Em vários momentos, Bolsonaro desconsertou os experientes comunicadores globais. A conversa, que deveria ser um “massacre ao candidato”, teve seis pontos que precisam ser levados em conta:

1- A entrevista teve perguntas dignas de adolescentes esquerdistas que não aceitam admitir o fiasco que foi o Brasil na “era PT” (principalmente pelo show de corrupção). Adolescentes que tudo para eles é “machismo” ou “homofobia” ou “reacionarismo”. Adolescentes que duvidam das mazelas do PT e acreditam que a direita é a reencarnação de “Satanás”. Nesse aspecto: Bolsonaro 1 x Jornal Nacional 0.

2- O JN é um telejornal em que “nada pode”. Recentemente, os “âncoras” foram liberados para entrevistar os jornalistas ao vivo. Antes, não podia no JN, somente em outros telejornais da maior emissora de TV do país. Voltando à entrevista desta terça-feira: não podia mostrar a cartilha LGBT, não podia falar mal da Globo, não podia dizer que Roberto Marinho apoiou a ditadura, não podia dizer que a rede dos Marinhos recebe bilhões dos cofres públicos, e nas vezes em que Bolsonaro tentou era visível o desconforto dos jornalista treinados. Bolsonaro 2 x Jornal Nacional 0.

3- Bolsonaro fugiu de várias perguntas e respondia, boa parte das vezes, como um matuto, negando seu passado, principalmente negando as besteiras que defendeu em tempos não tão distantes. Bolsonaro 2 x Jornal Nacional 1.

4 – O descontrole desesperador, já citado, de Renata Vasconcellos (excelente profissional, mas que na entrevista deixou a desejar). Bolsonaro 3 x Jornal Nacional 1.

5- “Homossexualismo”, palavra dita por Renata durante uma pergunta (da forma com que a expressão é erroneamente usada por Bolsonaro. O correto é homossexualidade). Precisou de William Bonner fazer a correção. Bolsonaro 4 x Jornal Nacional 1.

6 – No começo da entrevista, a insistência de Bonner ao se referir ao economista Paulo Guedes, o ministro da Fazenda já escolhido por Bolsonaro, caso o candidato vença a eleição. “E se não ter certo? Se ele sair antes?”, perguntava insistentemente o apresentador. A resposta de Bolsonaro ao dizer que quando alguém se casa não existe “mulher reserva”, foi hilária. Depois, ele fez uma referência indireta à separação de Bonner e Fátima Bernardes.

Placar final: Bolsonaro 5 x Jornal Nacional 1.

Bolsonaro não é nem de longe meu candidato. Mas eu esperava mais, muitos mais, dos apresentadores da TV Globo. Tenho certeza que se a entrevista fosse feita por Fernando Mitre da TV Bandeirantes, o comentarista do canal concorrente teria dado um show.

“Apertar” durante entrevistas o candidato é imprescindível e é importante, mas o que não pode é o entrevistador demonstrar que odeia o convidado. Isso é para amadores, petistas, do tipo “cheios de mimimis”.

*O autor deste texto (Romeu Arcanjo) é jornalista.