Vândalos enfrentam o Choque. Foto: Minuto Mais

Não passou de puro vandalismo a manifestação de protesto contra a Guarda Civil Municipal, ato responsável por deixar um rastro histórico de pânico e destruição pelo centro da cidade.

A última quarta feira (06/07) entrou para a história de Itabirito como o dia em que as pessoas de bem ficaram reféns de arruaceiros, travestidos de manifestantes.

Há pelo menos uma semana, o atrevimento dessas pessoas se evidenciou com as agressões físicas, verbais e ameaças contra os integrantes da Guarda Civil Municipal, porém, desta vez a população teve motivos para se apavorar, pois a fúria destrutiva trocou o meio virtual pelas ruas da cidade.

A manifestação intitulada #somostodosRamon foi organizada por amigos e familiares de Ramon Santos (famoso por um vídeo, no qual agride a socos integrantes da Guarda Civil Municipal durante ronda em 01/07). A passeata contou com o apoio de opositores políticos do prefeito Alex Salvador, da União Juventude Socialista de Itabirito (UJS) e de alunos de algumas escolas.

Todas essas pessoas unidas por dois objetivos: achincalhar o Poder Executivo e desqualificar a autoridade dos integrantes da Guarda Civil Municipal.

A turma do #somostodosRamon não tocou o terror em toda a cidade, como prometera, mas conseguiu perturbar a vida de boa parte dela, assustar a população e causar um imenso prejuízo financeiro aos comerciantes.

Para tentar entender essa baderna, é preciso levar em conta algumas coisas que estão por trás dela. A primeira é o fato de estarmos em ano eleitoral e um grupo de opositores à atual administração valer-se do alto poder disseminador de informação das redes e mídias sociais para criar fatos negativos com o intuito de denegrir a imagem do prefeito e de seu grupo político.

Não se pode deixar de considerar também que o aumento da inflação, o desemprego, a falta de autoridade familiar, o clima de insegurança e de insatisfação, certamente, desempenharam um papel nesse protesto.

Por fim, acredito que os entes administrativos de nossa cidade falharam nesse episódio por não terem monitorado com a devida atenção a crise que se desenrolava, desde o dia (01/07), nas redes e mídias sociais, envolvendo a Guarda Municipal e os partidários de Ramon.

A demora dos administradores para entender a gravidade das discussões com a propagação e o acirramento dos discursos de ódio e de violência contra um poder constituído, sobretudo nos últimos dias, somando-se a falta de um plano de ação para estancar a crise no meio virtual podem ter contribuído para os acontecimentos que vimos.

O fenômeno, guardadas as devidas proporções, foi semelhante ao ocorrido em junho de 2013 em São Paulo, com a quebradeira promovida nas ruas da cidade em função de manifestações nascidas nas redes sociais contra o aumento das tarifas de ônibus.

Nas duas situações, um fato social de impacto na vida cotidiana da cidade foi parar na arena virtual e com a atuação de alguns “influenciadores” (indivíduos que têm o poder de formar opinião e mobilizar outras pessoas por meio de mensagens impactantes e de maior alcance) as discussões se inflamaram e migraram do virtual para o real com efeitos catastróficos.

Que tal fato sirva de lição e que todos os envolvidos nessa bagunça reflitam, pois como bem disse o editorial do Minuto Mais, o ocorrido do dia (07/07), pode ser o começo de uma fase tenebrosa para a nossa cidade.