Tiú é atropelado no bairro Monte Sinai. Foto: Minuto Mais

Primeiro, ele tenta fugir ao menor sinal de perigo, mas quando é encurralado ataca com sua calda. Esse é o lagarto tiú (que tem outras dezenas de nomes, como teiú). Um típico morador de florestas brasileiras, mas que pode ser encontrado também nas cidades. Sem chance de fugir e sem oportunidade de se defender, um atropelamento (realizado por um automóvel) matou um espécime desse animal, neste sábado, 24 de setembro, no começo da tarde, em Itabirito.

A reportagem do Minuto Mais estava passando, quando uma moça (com compaixão pela vida do animal nativo) pediu para que o carro parasse. “Você tem coragem de tirá-lo da rua? Ele ainda está vivo”, perguntou ela ao repórter.

Minutos antes de os bombeiros chegarem. Tiú moribundo. Foto: Minuto Mais
Minutos antes de os bombeiros chegarem. Tiú moribundo. Foto: Minuto Mais

Sorte que não apareceu a “galera das pedradas”. Aquela que não pode ver nenhuma forma “diferente” de vida que a transforma em alvo de pedras certeiras (como bárbaros tentando demarcar território).

O lagarto, com indícios de que morreria, foi levado para um lugar seguro. Mas era tarde demais. Os bombeiros foram chamados, mas só tiveram a chance de recolher o corpo do animal.

O tiú saíra de uma mata no bairro Monte Sinai e, provavelmente, na sua luta diária pela sobrevivência, ele foi para rua. Lembrando que áreas verdes em Itabirito são raríssimas e só existem para que alguns, digamos, pouco letrados possam atear fogo de vez em quando (…).

E quando destruímos o verde, adivinha para onde os animais silvestres vão? (…).

“Mas que drama por causa de um lagarto conhecido por ser assaltante de galinheiro!”, diriam alguns. Pode ser, mas a morte desse tiú é somente uma pequena mostra de como o meio ambiente em Itabirito pode ser tudo, menos prioridade.

Hoje foi um tiú que morreu. Amanhã pode ser um pássaro enjaulado. Depois de amanhã, uma árvore cortada. Na semana que vem, uma mata que se vai. E daqui a alguns anos, a nossa água será escassa.

Como a natureza é puro equilíbrio. Quando a água faltar, aí sim, vamos sentir falta de quando Itabirito era habitat de tiús vivos. Tomara que não seja tarde demais!