Uma das frases comumentes ditas em reunião de NA. Foto: reprodução de Facebook

A pedido do entrevistado, o nome da droga (ilícita) foi suprimido da matéria. Na visão da irmandade Narcóticos Anônimos (NA), não importa a droga de predileção do adicto: maconha, crack, cocaína ou álcool. Para a o NA, não há droga leve ou pesada. Um usuário, segundo a irmandade, pode ter sua vida comprometida de maneira veementemente negativa com qualquer droga.   

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Túlio (nome fictício), morador de Itabirito, experimentou droga na juventude. O álcool, aceito pela sociedade, foi a porta de entrada para a droga ilícita. “A associação do álcool mais a droga (de predileção) era o prazer que eu procurava. Eu era fechado e tímido. Essas drogas me deram coragem para conversar em festas, por exemplo”, disse Túlio em entrevista ao Minuto Mais.

Atualmente, com apoio dos Narcóticos Anônimos (NA), ele está há 2 anos, 6 meses e 2 dias sem drogas.“O dia mais importante da minha vida é hoje”, disse.     

A história de um batalhador

Túlio usou droga ilícita por 3 anos somente nos fins de semana. Depois, passou a usar todas as noites, de segunda a segunda. Mais tarde, trabalhando em empreiteira de mineradora, usava na hora do almoço e assim ia pelo resto do dia.

Tentado sair mais cedo do trabalho, “vivia” no departamento médico da empresa. Não conseguia trabalhar na quinta, sexta e sábado. “Nunca fiquei mais de três meses em uma empresa, sempre era mandado embora”, disse.

E os atos angustiantes não param.“’Roubei’ do meu filho e dos meus pais para usar droga. Uma das coisas que mais me arrependo, que mais mexem comigo, foi quando eu vendi o videogame do meu menino para comprar droga. Dos meus pais, eu roubei a felicidade. Minha mãe nunca sabia se eu voltaria vivo para a casa”, relatou ele. 

No dia 10 de novembro de 2015, ele saiu de casa disposto a se matar. “Desisti de ser pai, de ser filho, da minha esposa e da minha vida”, afirmou.

O carro estava de tanque cheio. “Cheio” de substâncias psicoativas também estava o seu organismo: além de álcool e da droga ilícita, mais Rivotril e Ritalina (remédios psiquiátricos conseguidos no mercado negro).

Túlio foi encontrado descordado com o carro caído em uma pequena vala no trevo de Congonhas. Por sorte ninguém se feriu.

Por causa disso, ficou dois dias hospitalizados. No dia 12 de novembro de 2015, começou a frequentar as reuniões dos Narcóticos Anônimos, em Belo Horizonte (não havia NA em Itabirito).

Precisa de ajuda? Procure! Imagem: divulgação

“Eu era taxado pela sociedade de ‘noiado’, ladrão, vagabundo e safado. No NA, fui abraçado e aplaudido. Eles não estão interessados em o que você que fez. Somente interessava quais eram meus problemas e como poderiam me ajudar, sem ligação com religião ou grupo político. Narcóticos Anônimos é uma irmandade mundial para homens e mulheres para quem as drogas se tornaram um problema maior. Nos reunimos regularmente para ajudar uns aos outros a se manterem limpos. O que importa é que a pessoa queira de fato parar com o uso de drogas. O único requisito para ser membro de NA é o desejo de parar de usar”, disse Túlio.

Em 10 fevereiro de 2016, o NA foi reaberto em Itabirito, depois de alguns anos inativo.

Atualmente, por causa dos traumas e do NA, Túlio está limpo. A luta contra as drogas é diária. O adicto nunca alcança a cura. A força de vontade para se livrar do vício deve ser para o resto da vida. “As reuniões nos ajudam a viver um dia de cada vez”, repetem os frequentadores da entidade.

Onde e como

O Narcóticos Anônimos é grupo que por meio de “12 passos” compartilha experiência  em recuperação No grupo, um membro incentiva o outro a se manterem limpos.

Em Itabirito, as reuniões acontecem às terças, quintas e sábados, às 19h, na sala 208, no prédio anexo à Paróquia de São Sebastião, Centro de Itabirito.