Chamada da entrevista com Manuela D'Ávila - candidata a vice na chapa de Haddad (PT): "papo de comadre". Foto: reprodução

ARTIGO DE OPINIÃO: Um programa de entrevista no qual os entrevistadores pensam quase que exatamente como os entrevistados. Esquerdistas entrevistando esquerdistas. Não existe divergência, o que há é “um passe de bola para que o ‘colega’ possa marcar o gol”. Esse é o programa Voz Ativa, da Rede Minas de Televisão.

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A emissora, segundo o site Brasil 247, define o programa como “democrático e republicano”, “com novas vozes, ampliando a oferta de informação e reflexão sobre a realidade brasileira. Sem partidarismos e sem fugir ao debate de ideias”. Lembrando que o Brasil 247 é um jornal panfletário de defesa escancarada das esquerdas.

O programa é co-produzido pelo o El País Brasil (outro veículo esquerdista. Mais sério e mais elegante, mas não deixa de ser esquerdista).

Atualmente, o governador de Minas ainda é do PT (Fernando Pimentel). Portanto, a emissora está simplesmente acatando as ordens do patrão. Seria mais fácil engolir essa realidade se a rede em questão não se definisse como uma TV pública (e sim como uma estatal). Portanto, deveria apresentar de fato uma pluralidade de ideia, em respeito ao público que, diga-se de passagem, é plural. Isso sem falar que hoje a maioria brasileira tem horror ao PT. Por três motivos: corrupção desenfreada, discurso demagogicamente insistente e, o mais grave: total incompetência para gerir a economia. Simples assim.

Eu me pergunto: por que o Voz Ativa não entrevista um direitista liberal ou conservador uma vez na vida? A reposta é simples: é porque se trata de propaganda petista (escancarada).

O programa funciona da seguinte forma: em uma semana entrevista alguém que explana sobre os perigos de um “governo fascista”, fazendo referência “indireta” ao candidato de direita. O negócio é tão ridículo que os entrevistadores não citam o nome de Jair Bosolsonaro (aparentando seguir um ditado popular que diz que se a gente citar o nome do “capeta”, ele aparece). Na outra semana, fala de uma pauta que interessa às esquerdas, por exemplo: a causa LGBT. Não sou contra esta pauta especificamente. Mas tratar do assunto em época de campanha eleitoral deixa clara a postura política do programa.

Lembrando que o programa ficou “famoso” por ter quase entrevistado o ex-presidente Lula direto da cadeia.

A Rede Minas, toda vez, se entrega ao patrão. Fez isso no governo tucano de Aécio Neves (PSDB). Em nome de uma ideia, afiliadas da rede foram fechadas porque era “necessária” passar informações somente da matriz (Belo Horizonte). Matriz essa que falava o “tucanês de Aecinho”.

Ou seja, a Rede Minas está a serviço daquele que assume a Cidade Administrativa, em desrespeito à qualidade, ao público e à verdade.

Até a vinheta do programa traz um ícone esquerdista: a canção Roda Viva, de Chico Buarque. Um grande compositor, sem dúvida. Talvez o maior da história brasileira. Contudo, a escolha tem a ver sim com a ideologia do programa.

A vantagem é que se trata de um programa de audiência pífia. Não tenho os números dessa audiência, mas vale lembrar que a Rede Minas já esteve entre as três maiores emissoras (em audiência) na capital mineira, isso nos anos 90.

Hoje como resultado de uma programação pobre, cenários que pararam no tempo e, ao mesmo tempo, proposta intelectual (tendenciosa) e pouco atraente, a Rede Minas é quase que ignorada pelo povo mineiro.

Em tempo: não quero passar nenhuma ideia de propaganda a favor de Bolsonaro. Concordo com 90% das críticas a ele. Contudo, trata-se de candidato legítimo com ideais e defensores que merecem ser, pelo menos, ouvidos por um programa que se julga democrático. Isso em nome da verdade, que aparentemente dói algumas vezes na direção da Rede Minas.