Manifestação em São Gonçalo que aconteceu domingo (29) contra a implantação do terminal de carga e descarga. População deu um abraço simbólico na igreja do distrito como forma de protesto. Foto: divulgação

De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Itabirito, o terminal de carga e descarga vai ser realidade em São Gonçalo do Bação, distrito de Itabirito (Região Central de Minas). O empreendimento tem gerado indignação de parte da população local. O receio é que São Gonçalo tenha sua natureza e tranquilidade comprometidas. A empresa Bação Logística SA é a dona do terminal que está em obras e deve entrar em operação no início do ano que vem.

A firma tem licenciamento ambiental para operar. Neste ano, com a devida aprovação do Codema (Conselho Municipal de Meio Ambiente), a Prefeitura de Itabirito liberou o documento.

Desde 2017, empreendimentos até classe 3 são licenciados pelo Município (e não mais pelo Estado). Essa graduação é feita de acordo com a degradação ambiental da empresa, e vai de zero a seis. Quanto maior o número, maior o impacto ambiental. O empreendimento em questão foi considerado classe zero, ou seja, segundo essa tabela, os impactos ambientais em São Gonçalo do Bação são mínimos.

Todavia, os medos da sociedade organizada da localidade foram explicitados em panfleto feito pela comunidade.

De acordo com o texto do panfleto feito pela comunidade, estes são os temores com o empreendimento:

Haverá muita poeira em época de seca e muita lama nos períodos chuvosos (De acordo com a população local, depois de pronto, o terminal deve mobilizar seis mineradoras – que contratarão os serviços do porto – e de 300 a 600 caminhões que passarão diariamente pela estrada de São Gonçalo do Bação/Ribeirão do Eixo).

Córregos e o solo serão contaminados. O receio é que essa contaminação chegue ao lençol freático, prejudicando nascentes.

Haverá poluição sonora em demasia e queda nos preços dos imóveis na localidade.

Ainda de acordo com a comunidade, sob ponto de vista econômico, haverá prejuízo da atividade turística na região, principalmente para artesãos, agricultores e donos de pousadas.

“Acionamos o Ministério Público porque queremos que a empresa promova uma audiência pública para explicar o empreendimento à comunidade. Queremos saber se a firma tem licenciamento ambiental, qual será o volume da carga que será transportado (…). É preciso discutir tudo isso com a comunidade. O que sabemos é que a obra de implantação do porto seco está acontecendo. E está tudo muito nebuloso para São Gonçalo”, disse Thiago Luiz, morador do distrito.

O secretário de Meio Ambiente da Prefeitura de Itabirito, Antônio Marcos Generoso Cotta, em entrevista ao Minuto Mais, disse que o Município propôs a feitura de uma audiência pública para explicar à comunidade os detalhes do empreendimento. Todavia, por ser classe zero, e não ser obrigatória a audiência, a firma não realizou o evento.

Segundo o secretário, obras de infraestrutura serão feitas na localidade pelo Município. Tais obras foram acordadas com a população local. Entre elas: uma rotatória será construída em São Gonçalo do Bação com o intuito de evitar acidentes entre caminhões da empresa e veículos da população local. 2- Uma cortina arbórea será implantada com objetivo de diminuir a poeira, poluição sonora e visual. 3- O número de caminhões e a poluição sonora serão monitorados pelo Município (no caso, um dos fiscais é a própria população).

Outra situação a acontecer será o asfaltamento, pela empresa, da estrada que liga São Gonçalo do Bação a Ribeirão do Eixo. “Isso trará benefício para Ribeirão uma vez que quando chove, a comunidade fica praticamente ilhada”, disse o secretário.  

Segundo o secretário, o empreendimento será um terminal de carga e descarga. No futuro, um porto seco. Não se trata, de acordo com o secretário, de um terminal de minério. O local servirá para abastecer vagões de trem com minério de ferro e outros produtos, como peças de máquinas.

São Gonçalo do Bação

O distrito tem duas grandes riquezas: a sua natureza e seu povo. E quando essa natureza, aparentemente, está ameaçada, nada mais justo que a população se manifeste.

A comunidade, por meio de sua associação comunitária, tem realizado reuniões e manifestações para discutir a situação. “Não conseguimos contato com a empresa. Mandamos e-mails, mas a firma não reponde. Isso é o que mais nos angustia: a falta de comunicação e as incertezas”, disse o presidente da associação, Márcio Ziviani.

E quando o assunto são dúvidas, uma situação chama a atenção. A reportagem, praticamente, não conseguiu achar a empresa na internet (na surface web). Somente em sites do tipo “lista telefônica”. Para o número que estava na web, o Minuto ligou 8 vezes. Mas não conseguiu falar.

Depois, a reportagem conseguiu o número de um responsável pela empresa. Quinze ligações foram feitas, mas o telefone “caía” direto na caixa postal.

A redação continuará tentando contato com a empresa que está construindo terminal. E caso a Bação Logística queira fazer contato com a reportagem, o WhatsApp do Minuto é (31) 9 8798-5664. Para ligações, o número é (31) 9 8618-3412.

Câmara

O Minuto Mais procurou o presidente da Casa Legislativa Rodrigo do Porco (PSD) para saber a opinião dele a respeito do assunto.

Documentos sobre a situação legal da empresa chegaram à Câmara recentemente, a pedido do próprio presidente. “Diante dos fatos, estamos apurando para saber se há algo incorreto no empreendimento. Prefiro me manifestar depois da análise do documento que será feito juntamente com assessoria jurídica da Câmara”, disse.