Obra de Laurie Lipton

Pedro Ayres* – articulista do Minuto Mais 

Passado o período eleitoral do qual tive a oportunidade e honra de participar neste pleito de 2016, retorno com grande entusiasmo à função de articulista do Minuto Mais com uma percepção muito mais aflorada de nossa cidade. Durante o caminhar pelos bairros e conversas com moradores, pude conhecer as verdadeiras facetas de Itabirito, aquela que não consta em jornais e que o poder público ignora.

Itabirito, seguindo o rumo nacional e mundial, obedece à tendência da concentração de renda nas mãos de poucos aumentando a desigualdade social, em outras palavras, poucos ganhando muito e a maioria da população se contentando com quase nada, privando-os de seus direitos humanos estabelecidos. Algo está errado e temos que começar a questionar o atual sistema econômico regido principalmente pelos interesses bancários, grandes empresas e grupos políticos profissionais no ramo.

O descontentamento político registrado antes das eleições somado as novas regras eleitorais nos conduziram a acreditar que uma renovação de nossos políticos aconteceria em nível nacional, porém nada mudou e para ser sincero, piorou.

Analisando a Câmara de Itabirito, não tivemos uma grande renovação de nossos vereadores conforme esperado. Vergonhosamente, em uma cidade que preza pela mudança, elegemos novamente apenas UMA mulher para o Legislativo mesmo após a mudança nas regras eleitorais obrigando as coligações a apresentarem um terço de candidaturas femininas. Nisso deixo uma importante reflexão para as leitoras. Tivemos outro baque significativo, não teremos presente nos próximos anos nenhum NEGRO na câmara. Algo a se pensar também.

Agora sobre o Executivo (Prefeitura), novamente, comprovou-se uma tese exposta em meu primeiro artigo para o Minuto, no qual mencionei que na maioria das vezes o vitorioso sempre é o candidato que gasta mais dinheiro ao longo da campanha. Para se ter uma ideia, o candidato eleito em 2016 ainda sob judice se assume ou não, na campanha de 2012 declarou naquela ocasião perante a Justiça gastos na casa de R$ 700.000 (setecentos mil reais) enquanto o candidato Alexandre Kalil no primeiro turno destas eleições 2016 em BH declarou R$ 540.000,00 (quinhentos e quarenta mil reais). Eita! O quanto nossa Itabirito é valorizada, hein!?

Aproveitando o momento para falar sobre meus gastos, minha coligação inteira gastou ao longo da campanha aproximadamente R$ 7 mil, obtendo-se expressivos e comemorados 1.857 votos.

Compartilho um momento em que mais me chateou nesta campanha, ao vermos que tínhamos recursos apenas para imprimir 9 mil planos de governo sendo que em Itabirito existem 17 mil residências. Doeu o coração escolher quais bairros teriam o privilégio de receber nosso produto maior, fruto de uma construção cidadã, colaborativa e de grande empenho intelectual de nossos apoiadores. Gostaríamos muito que nossas propostas tivessem chegado a todos os lares, não foi por falta de vontade e sim recursos. Nossa falta de recursos também foi sinônimo de integridade, liberdade para nomeações de cargos e não possuir o rabo preso com ninguém.

O que mais me deixou intrigado nestas eleições foi presenciar uma relação de “endeusamento” a um ex-prefeito (não candidato) IMPUGNADO presente nos comícios.

Uma sociedade que “louva” um (ex) político inelegível que por ter suas contas rejeitadas se tornou FICHA SUJA deve-se fazer uma grande reflexão a respeito do tipo de política que pleiteamos para nossa cidade.

Recordemos o simbólico caso dos jovens presentes naquele episódio no qual uma conduta questionável dos guardas municipais desencadeou um dos maiores protestos populares já presenciados em Itabirito, tudo começou por conta de uma denúncia do uso de maconha nas dependências do parque municipal.

A reputação e histórico dos jovens presentes neste episódio ficarão na memória da cidade por muito tempo além de ter sido amplamente noticiado e julgado pela mídia e sociedade local ao contrário do ex-prefeito impugnado. Afinal de contas, quem é mais prejudicial para uma sociedade, o cidadão maconheiro ou o corrupto ficha suja?

*Pedro Fontes Ayres é engenheiro de telecomunicações, pós-graduado em gestão de projetos, trabalha como coordenador de vendas em empresa do segmento de T.I. e é presidente do PSOL Itabirito e conselheiro da cultura.